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PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de abril de 2006
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Você não acredita que pode acontecer, até se ver no meio da confusão. Quando percebe, já trocou alguns e-mails e o conteúdo já não é mais restrito ao trabalho ou ao estudo. Já trocou confidências, já falou de problemas no relacionamento, se houver um, já revelou segredos que, você pode jurar, nunca contou a mais ninguém. E quando menos você espera já está fazendo parte, mesmo sem admitir, de uma parcela cada vez maior da população que trai virtualmente.
Um recente estudo americano feito pela Universidade da Flórida revelou que um número crescente de pessoas casadas frequenta salas de bate-papo na internet em busca de prazer. E dentro dessa questão, os entrevistados não falam e procuram só sexo, mas alguém que esteja disposto a ''ouvir'' (ou ler, obviamente) sobre suas mazelas e desejos mais íntimos.
O curioso é que a pesquisa mostra que a maior parte das pessoas comprometidas que se envolveram virtualmente em outras relações não pensavam estar fazendo nada de errado. Por outro lado, os parceiros dessas pessoas se sentiam traídos quando descobriam a relação extra-conjugal-virtual, mesmo sem haver contato físico.
A própria legislação brasileira, apesar de só reconhecer a traição se for carnal, já começa a receber diversos casos de divórcio que começaram na rede. E o pior (ou melhor, depende do ponto de vista), pipocam na net sites com a proposta clara de desvendar o segredo dos traidores. Isso mesmo. Alguns sites já vendem como produto o fato de terem tecnologia capaz de revelar uma possível traição. Os textos chegam a ser engraçados: ''Você acha que seu parceiro está te traindo pela internet? Mande um e-mail para nós que vamos descobrir a verdade''. É como uma agência de detetive virtual, em que o profissional contratado se dispõe a fuçar no messenger (programa de conversa online) e em e-mails pessoais qualquer possibilidade de traição.
E não estamos falando apenas de sexo virtual. No Brasil, por exemplo, que registra pouco mais de 5 milhões de internautas e no mundo, as páginas eróticas são as mais procuradas. Só o site de buscas Google tem catalogadas 4.220.000 homepages sobre sexo (se a palavra-chave for ''sex'', o número aumenta para 341.000.000), mas tem algumas pessoas que não procuram exatamente isso. Querem apenas conhecer alguém que preencha algum vazio momentâneo (ou eterno) da sua existência.
Em respeito a esse público, dessa vez, a coluna não vai indicar sites que podem ser acessados. Encontrar esse tipo de situação não depende de indicação. Ah, e se você estiver do outro lado, não ceda à tentação de procurar no Google os sites que prometem desvendar possíveis traições virtuais. Tente resolver a situação no plano real.


