CLIQUE AQUI - Pirataria sem trégua
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) divulgou essa semana uma pesquisa inédita sobre o universo musical da internet. A pesquisa dá uma cara formal para uma prática que todo mundo sabe que acontece e quantifica o número de pessoas que baixaram músicas na rede somente no ano passado. O trabalho constatou que 8,2% da população pesquisada, o que corresponde a 2,9 milhões de pessoas, baixaram músicas na internet em 2005. Foram quase 1,2 bilhão de músicas baixadas no período de 12 meses. Não há como calcular o prejuízo para o mercado oficial, mas estima-se que caso esses downloads fossem feitos de forma legalizada, o setor teria arrecadado mais de R$ 2 bilhões, o que significa três vezes mais que o montante faturado pelo mercado, com a venda de CDs e DVDs originais no ano passado.
Além de traçar o perfil do público brasileiro que opta por essa prática (a maioria homens, com grau de instrução superior, etc), a pesquisa também traz os gêneros mais pesquisados e baixados na rede. O rock internacional, por exemplo, está no topo da lista das músicas mais procuradas, com 51% dos downloads. MPB aparece em segundo lugar, com 47%, seguido pelo rock nacional, com 46%. A música clássica aparece em último lugar, com 8% da preferência.
Conhecer o perfil do público que baixa as músicas e estimar o valor do prejuízo é uma maneira de tentar reverter a atual situação da pirataria na rede. Em nota oficial, o diretor geral da ABDP analisa a pesquisa. Para ele, os números revelam que o potencial do mercado brasileiro para a venda de música on-line é imenso. ''O mercado de música pela internet no Brasil, seguindo tendências dos países/mercados mais desenvolvidos, dá sinais claros de alavancagem em 2006, como por exemplo, o expressivo aumento de repertório disponível para downloads legítimos pelo público, através de websites como iMusica e seus parceiros (MSNMusic, Yahoo Music, Americanas.com, etc.) e a entrada em operação das lojas virtuais dos portais UOL e Terra''.
Para o mercado oficial, pode ser bom, mas usuários de alguns portais, como o Terra, por exemplo, reclamam de poder ouvir apenas 30 segundos das músicas e ter que pagar uma taxa mensal se quiser (só) ouvir o restante. Alguns sites oferecem o mesmo serviço gratuitamente. E programas como DCH, Bit Torrent e Soul Seak, baixados com facilidade, oferecem ao internauta downloads gratuitos de arquivos musicais do mundo todo, sejam eles raros, populares ou as novidades do mercado. São esses programas que estão na mira de quem quer combater a pirataria na rede. Assunto polêmico.


