CLIQUE AQUI - A seis cliques de distância
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de março de 2006
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No final da década de 60, o psicólogo americano Stanley Milgran recrutou cerca de 200 voluntários para uma experiência impactante no universo da comunicação. Chamada de ''Teoria dos Seis Graus de Separação'', a experiência consistia no seguinte: cada um dos voluntários recebia uma correspondência e tinha que fazer com que a carta chegasse às mãos do destinatário especificado no envelope. O destinatário era sempre um estranho que já havia morado na mesma cidade do voluntário.
As regras da experiência determinavam que os voluntários fizessem a carta chegar ao dono através de quem o conhecia pessoalmente e não pelos Correios. E para saber quantas pessoas tinham sido necessárias para cumprir a tarefa, Milgram determinou também que cada um escrevesse seu nome na correspondência, tornando possível o monitoramento do caminho percorrido. De mão em mão, as cartas foram chegando ao seu destino e para isso, eram necessárias, em média, seis pessoas.
Com esse número em mãos, Milgram formulou então a chamada ''Teoria dos Seis Graus de Separação'', que afirma que a distância entre uma pessoa e qualquer outra no planeta é de apenas ''seis apertos de mão''. Segundo a teoria que inclusive inspirou a criação do Orkut a pessoa em questão pode ser o Michael Jackson ou um primo de segundo grau, mas depois de seis apertos de mãos é possível encontrar qualquer um. O psicólogo formulou a questão na década de 60, quando a internet (e sua popularização) era apenas um sonho distante e o Orkut não era ainda nem um projeto. De que forma o Google e outros sites de busca alteram a teoria de Milgram?
Pense em qualquer pessoa, qualquer um. Uma tia distante ou Fernando Pessoa e escreva em um site de busca. Provavelmente em menos de seis cliques é possível encontrar alguma informação sobre essa pessoa. Mas a quantidade de informações na rede é tão grande e diversificada que é praticamente impossível encontrar tudo o que se precisa sem ajuda, ou seja, sem o uso de um mecanismo de busca. Nenhuma dessas ferramentas, no entanto, supera o Google, o maior site de busca na rede. No final do ano passado, o site já tinha alcançado a marca estimada de 60 milhões de páginas indexadas. Agora, esse número deve ter aumentando, já que as páginas são atualizadas diariamente.
Um exemplo do poder do Google, apenas clicando o nome ''Fernando Pessoa'' aparecem mais de mil páginas relacionadas ao poeta português. Uma delas traz na íntegra seus poemas mais conhecidos. O poeta gaúcho Caio Fernando Abreu também pode ter seus textos conhecidos na rede por meio do site www.releituras.com, um achado para quem gosta de literatura. No site é possível acessar textos e biografias de escritores consagrados e daqueles que ainda arriscam seus primeiros textos na rede ou na impressão. São mais de 430 autores e cerca de 1,2 mil textos disponíveis. Leitura para umas férias longas.
E há também aqueles escritores que já começaram na internet e só na rede é possível encontrá-los. E esse universo não se resume (ainda bem) a nomes como Clara Alverbuck e Fernanda Yang, mas se estende a bons exemplos de literatura, como Paulo de Toledo (http://paulodtoledo.blog.uol.com.br). Da nova geração dos poetas que surgiram nos tempos de internet, Toledo é um nome expressivo. Ele ainda não publicou nenhum livro, mas é autor de uma saborosa poesia visual que pode ser apreciada em seu blog. Quer mais? É só dar o primeiro clique. O Google faz o resto.
Acesse:
- www.google.com.br
- www.altavista.com.br
- www.yahoo.com.br
- www.insite.com.br/art/pessoa
- www.releituras.com
- www.paulodtoledo.blog.uol.com.br


