Clínica cuida da saúde do viajante
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terça-feira, 12 de abril de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Imagine a cena: um casal viaja em lua de mel para a Grécia. Contra todas as previsões, o marido acaba tendo uma forte diarréia. De volta, ao invés de lembranças dos passeios de barco, das paisagens paradisíacas de mar azul e casinhas brancas das ilhas gregas, ele vai lembrar apenas dos banheiros que teve que frequentar. Com o exemplo da chamada ''diarréia do viajante'', que acomete entre 50% a 60% das pessoas que saem de seu ambiente normal, o médico infectologista Jaime Luiz Rocha explica a proposta da primeira clínica de medicina do viajante do Sul do Brasil, a Travel Clin, em Curitiba, em funcionamento desde o início do ano.
Prevenção é a palavra chave do trabalho da clínica. Outro objetivo é diagnosticar qualquer problema de saúde que possa acontecer durante ou em decorrência de uma viagem. A idéia é que a pessoa que vai viajar faça uma consulta antes do embarque para saber as necessidades e problemas de saúde que pode enfrentar. Na consulta com o médico, ele vai indicar a necessidade ou não de vacinas, os medicamentos que devem estar na bagagem, além de ensinar os cuidados na ingestão de água e alimentos, proteção contra picadas de insetos e outros animais perigosos, cuidados com a altitude e com a exposição ao calor ou ao frio. O médico também orientará quanto a riscos de acidentes e violência urbana e passará informações atualizadas sobre a epidemiologia e surtos nos locais a serem visitados.
''O cuidado é sempre maior com pessoas que vão a lugares diferentes, como Ásia, Índia, África, onde há riscos de se contrair doenças e é preciso se prevenir com vacinas'', diz Rocha. Ele explica, no entanto, que as orientações ao viajante dependem de uma série de fatores, como histórico clínico, destino e motivo da viagem, meio de transporte, local de hospedagem, entre outros.
O conceito de medicina do viajante é pouco difundido no Brasil. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Manaus têm clínicas do gênero, mas na Europa, Estados Unidos e Austrália essas clínicas já existem há décadas. Mas, de acordo com o médico, pessoas que vão a destinos como o Pantanal e Amazonas, que requerem vacinação prévia, começam a procurar pelo serviço, com medo de contrair doenças como a malária e leischmaniose.
Estima-se que anualmente são feitas mais de 650 milhões de viagens internacionais, incluídos todos os meios de transporte. Não há dados oficiais sobre o número de viagens internas no Brasil. Mas sabe-se que cerca de 50% dos viajantes apresentam algum tipo de problema de saúde em sua jornada, necessitando de auxílio médico, muitas vezes compreendendo internações. Situações como essas saem caro. Nos Estados Unidos, uma consulta médica sai em torno de US$ 260 a US$ 300, e uma diária de internação pode chegar a US$ 2 mil.
A clínica atende viajantes ''avulsos'', mas também excursões, empresas que realizam intercâmbio de funcionários, casais em lua-de-mel, famílias em férias, passeios ou mudança, profissionais em viagens (curtas ou longas) de negócios, além de turistas que chegam em Curitiba. O serviço não tem cobertura de planos de saúde nem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O valor da consulta individual é R$ 150,00, mas há pacotes promocionais para famílias e viagens em grupo.
Mais informações sobre a Travel Clin, pelo telefone (41) 3019-2474 ou no site www.travelclin.com.br


