Caminhar tranquilamente, até mesmo tarde da noite, entre cafés com mesas nas calçadas, lojas sofisticadas e ótimos restaurantes é apenas um dos previlégios de um portenho. A beleza e o charme de Buenos Aires é visível. A cidade é a mais européia das capitais da América Latina e, mesmo com toda a crise, é possível admirar sua arquitetura com toque afrancesado, fazer compras e desfrutar de uma das melhores culinárias do país.
Na mais elegante zona residencial, o bairro da Recoleta, há muito para admirar. O cemitério local ostenta a fama de um dos mais bonitos do mundo, e a Basílica de Nuestra SeÀora del Pilar foi declarada Monumento Histórico Nacional. Aos domingos, os portenhos saem às ruas da Recoleta para conferir a feira de artesanato. Entre uma compra e outra, não pode faltar um cachecol típico da conhecida lã argentina. Vale também parar numa loja de alfajor da tradicional marca Havanna. Uma caixa com uma dúzia é baratinho e você pode espantar o frio dessa época com a promoção da casa: um expresso, ou um ''cortado'', mais um suco e um alfajor.
Dentre os bons restaurantes do bairro, o Lola se mantém como uma alternativa segura para provar a qualidade da carne da Argentina em combinações de cozinha internacional. Em Puerto Madero você pode continuar a testar as tipicidades culinárias. Trata-se da zona do cais do Rio de la Plata reurbanizada e hoje ocupada por escritórios, bares e restaurantes todos cheios no jantar, já que atraem pelo sistema de bufê, completíssimo.
Mas já que estamos falando da terra do tango, não volte para o Brasil sem assistir a um show numa tanguería. Pela casa SeÀor Tango já passaram ilustres como Bill Clinton, Naomi Campbell, Mariah Carey e o nosso rei Pelé. Os pacotes de algumas agências de viagem oferecem o opcional, com ou sem jantar em uma casa de espetáculos, com transporte incluído.
Por falar nisso, os táxis merecem um parêntese. Uma corrida de uma ponta a outra da cidade custa, em média, 6 pesos. A única recomendação é chamar um pelo telefone, por ser mais seguro. Aí você escolhe se quer carro com ou sem ar, sem nenhum ônus.
Buenos Aires é bem servida de shoppings, e eles estão numa promoção unânime. No Paseo Alcorta ou no Patio Bullrich, só grifes como Versace, Cacharel, Kenzo e Hugo Boss é que seguram os preços no alto. A Lacoste desvia um pouco disso e tenta atrair com uma moda mais descontraída e local. No caso de uma etiqueta nacional como a Ricky Sar-kany, entre as peças mais cobiçadas está uma bota de couro de cano alto que sai cerca de US$ 50. Na Las Pepas, uma bolsa grande de couro custa 59 pesos. Dá para garimpar nesses locais.
Seguindo os roteiros de city tour, dois pontos obrigatórios seriam a famosa Calle Florida e o shopping Galerías Pacífico, que é também destaque arquitetônico e tem afrescos de Berni, Castagnino, Colmeiro, Spilimbergo e Urruchua. A Florida é centro de convergência de milhares de pessoas que circulam a caminho do trabalho ou fazendo compras. Junte-se aos consumistas por algumas horas; as lojas, estilo magazine, não fogem à regra nos preços.
Só não pense que vai encontrar o mesmo clima de normalidade dos bairros nobres. O microcentro é a região onde ficam diversos prédios comerciais. E os principais bancos, agora protegidos da fúria popular com tapumes de metal. Em alguns pode-se ver um pouco do que passam os argentinos. Frases de protesto pichadas, como ''Give us our US$ back. Thieves go home'' (Devolvam os nossos dólares. Ladrões vão para casa), marcam a fachada do Citibank. No fim de semana, entretanto, é o máximo que você poderá ver a respeito.

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