O ano é 1916, na Europa conflagrada pela guerra entre franceses e alemães, mas por enquanto não um conflito mundial, já que os EUA ainda não chegaram. Quer dizer, não em massa, porque uns poucos voluntários já estão na França para se juntar à Esquadrilha Lafayette, esquadrão de elite de aviadores. E mesmo ainda sem se conhecerem, os americanos já tem um traço em comum: são todos clichês ambulantes. Ou melhor, voadores.
É impossível que o espectador antenado nas escrituras de cinema deixe de perceber que personagens e situações e diálogos foram tirados de um compêndio de clichês do gênero guerra nos ares. O quadro geral é recorrente de filmes que percorrem a galeria de velhos clássicos do gênero dirigidos por gente do calibre de Howard Hawks e Howard Hughes.
Comece pelos personagens. O ''bad boy'', o encrenqueiro, o perdedor solitário, mas idealista em segredo Blaine Rawlings (James Franco); o raivoso-com-um-passado Reed Cassidy (Martin Henderson); há o crente, leitor da Bíblia antes das missões, o rapaz saído da tradicional família militar que descobre que a guerra é um inferno (construído em parte por sua família...); o esnobe, a tradicional vítima trágica e o sortudo. E Jean Reno perdido neste conjunto, como Monsieur Le Commandant.
Argumento? Trama? Há alguma coisa parecida, mas consiste basicamente em eventos de dramaturgia ''soap opera'', separados uns dos outros por missões aéreas perigosas. Camaradagem, confiança mútua, superação de barreiras de raça ou de classe. Há uma ''love story'' genérica. Heroísmo, bravura, valor, até mesmo um zepelim. Nada próximo de emoções autênticas, tudo muito frouxo, ao sabor das correntes aéreas.
O diretor Tony Bill não esconde o ''background'' televisivo. As cenas de ação parecem bem construídas graças às imagens geradas por computador, e que consumiram grande parte do orçamento de 60 milhões de dólares - em três semanas de exibição no mercado americano, bilheteria de US$ 6 milhões!
E toda a pipoca do mundo será permitida.(C.E.L.J.)

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