O pitoresco, o poético, o flagrante curioso. Tudo isso aparece em ''Nani Góis - Um Olhar Sobre o Paraná'', a exposição que celebra os 35 anos do fotógrafo paranaense. São cerca de 20 imagens selecionadas pela jornalista Patrícia Stedile, com enfoque nas pessoas, localidades e personalidades políticas do Estado, retratadas em diversas épocas.
As fotos revelam um Paraná pitoresco, com a criatividade do povo do interior, cheio de personalidade, como o poeta Paulo Leminski, e de rara beleza, feito o pôr-do-sol em Tibagi.
Na política, outra especialidade do artista, Nani sempre apareceu com um viés curioso. ''Não sacaneio deputados fazendo fotos que comprometam a imagem deles. Algumas são até engraçadas, porém não depõem contra a imagem deles'', explica.
Autodidata, este paranaense de Sertanópolis criado em Londrina e que hoje mora em Curitiba, tem um jeito autêntico de fotografar. ''Eu não leio sobre fotografia, e também não vejo fotografia, para não me deixar influenciar. O que eu faço é da minha cabeça'' afirma.
Nani Góis teve as primeiras noções de fotojornalismo quando trabalhava como motorista na TV Iguaçu, em 73. ''Eu ajudava a iluminar. Graças ao cinegrafista Valdir eu comecei a sacar de imagem e com o repórter Pedro Medina eu comecei a diferenciar o que era ou não era notícia. Foi uma grande escola para mim'', lembra.
No ano seguinte começou a fotografar no jornal londrinense O Panorama. Em 78 integrou a equipe da FOLHA. ''Foi um período ótimo porque eu fazia muita foto espontânea, do dia-a-dia. Essa coisa de fotografar o cidadão simples marcou muito''. Em paralelo, fazia trabalhos para revistas como a Placar e a Veja, onde acabou efetivado. ''Lá o fotógrafo participa muito da reportagem, trabalha em conjunto com o repórter. Ninguém é mais importante que ninguém. A gente soma para a revista ficar melhor''.
Durante os 20 anos em que trabalhou na revista, participou de duas reportagens que ganharam o Prêmio Esso de jornalismo.''Uma foi sobre a Amazônia e outra sobre os grandes calotes do Brasil. Retornou à FOLHA em 1994. ''Uma vez eu desci o Rio Iguaçu inteirinho de barco para uma reportagem especial. Foi uma aventura e tanto. Caí no rio com todo o equipamento, que por sorte voltou a funcionar depois que secou'', lembra.
Hoje, Nani trabalha na Assembléia Legislativa. No ambiente político, o desafio é fotografar celebridades, driblando um interessante paralelo entre o poder do político e o poder do fotógrafo. Para exemplificar, Nani lembra de uma frase dita por Marco Maciel, vice-presidente no governo FHC. ''Estavam lá no Palácio Alvorada o Rafael Greca e o Maciel. Eu comecei a sugerir como ia fotografar, daí o Maciel disse: Olha só, Greca; a gente pensa que tem o poder, mas os fotógrafos fazem o que querem da gente'' (risos).
''Quando você tem uma máquina, você está mexendo com a vaidade das pessoas. Todo mundo é vaidoso. Até Dalton Trevisan, que eu já fotografei muito, é vaidoso. Duvido que ele não goste quando sai foto dele nos jornais'', desafia. O arredio escritor curitibano já foi alvo de muitos flagrantes de Nani Góis, que certa vez até se propôs a fazer fotos oficiais dele. ''O Dalton me atendeu de forma gentil, mas recusou, disse que não gosta disso''.
Apesar de gostar muito do trabalho - ''São 35 anos de felicidade e diversão'', comenta abrindo um sereno sorriso - o que Nani mais aprecia é fazer livros. ''O trabalho em imprensa se acaba, mas o que sai em livro é eterno'', justifica. Entre os títulos com fotos dele estão ''Livro de Cabeceira do Homem'' de João Antônio Ferreira Filho , com imagens comentadas por Jaguar e Carlos Heitor Cony. ''Dá muita satisfação ter seu nome em uma obra que tem todas essas pessoas'', alegra-se.
Nani tem também projetos em andamento, como um livro sobre as cachoeiras do Paraná. ''Só falta verba e patrocinador e isso é complicado. O empresário daqui não tem uma cultura da cultura'' (risos). ''Tenho também um livro pronto sobre Curitiba, aprovado pela Lei Rouanet, com fotos da cidade e textos de 80 personalidades locais. Ninguém se interessa em patrocinar'', lamenta.
Nani não cansa de aprender. ''Como eu tenho mais idade, tenho dificuldade com o digital mas não tenho vergonha de perguntar para a molecada como usar o equipamento'', confessa. Para os jovens fotógrafos, que querem se dedicar ao fotojornalismo, Nani Góis dá quatro orientações. ''Você tem que ler, estudar bastante, saber para quem você trabalha e estar bem informado. Se você estiver bem informado, você faz uma boa fotografia''.
SERVIÇO
- Nani Góis - Um Olhar Sobre o Paraná
Onde - Restaurante O Portuga, em Curitiba
Quanto - Até o dia 21

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