Cleide Yáconis estréia na direção com "Quinze Atores à Procura de um Papel"
Cleide Yáconis estréia na direção com "Quinze Atores à Procura de um Papel"9/Mar, 16:03 Por Flávia Guerra São Paulo, 09 (AE) - Cleyde Yáconis se tornou atriz por acaso, quando assistia à peça "Anjo de Pedra", de Tennessee Williams, encenada pela irmã Cacilda Becker, e acabou sendo convidada para substituir uma das atrizes que ficara doente. "Eu sabia o texto de cor porque tinha assistido ao espetáculo várias vezes", conta. Hoje, 50 anos depois, sua estréia como diretora não poderia ser diferente. Ela assina a direção da peça "Quinze Atores à Procura de um Papel", que estréia sábado no Teatro-Escola Célia Helena. "Foi tudo de repente; dei um curso de dois meses e acabei sendo escalada pelos alunos para dirigir o trabalho de formatura deles". Apesar de ter adorado, avisa: "Não pretendo seguir carreira; foi uma experiência". A atriz também é responsável pela montagem e concepção da peça. Os 15 atores sugeriram que os textos do trabalho final fossem os próprios que haviam sido trabalhados durante o curso. Entre os trechos interpretados, estão cenas de "A Gaivota", de Chekhov, "Salomé", de Oscar Wilde e "A Megera Domada", de Shakespeare. Conectar tudo isso foi uma das tarefas de Cleyde. "Como são fragmentos muito fortes de várias obras, quebrei a cabeça para descobrir um ponto comum", conta. "Mas consegui dar à peça um tom de comédia", completa. O fio condutor encontrado pela atriz são as opiniões dos alunos sobre as questões abordadas em cada cena. A ação se passa em um teatro desativado invadido por 15 atores que se deparam com um misterioso baú. Enquanto procuram um papel que conte um pouco sobre o dono do antigo objeto, eles descobrem a própria essência do teatro. Os papéis procurados ganham sentido figurado e representam o personagem que cada ator sempre sonhou em encenar. "Eu quis criar um jogo teatral que mostrasse o processo de criação do personagem", conta. "Porque, na verdade, todo ator vive à procura do personagem ideal". Essa é a estréia da atriz como diretora, mas não como professora. "Já dei outros pequenos cursos; não quero fazer disso uma profissão, mas vivo aberta às oportunidades", diz. E ressalta: "Não ensino teatro, apenas passo o que sei para os alunos; dou o método, mas cada um deve soltar suas asas na hora de voar". Para Cleyde, sua experiência como atriz ajudou muito. "Eu como ninguém sei como é duro o começo", conta. "Posso compreender melhor as inseguranças dos atores", continua. "Isso também vai me ajudar como atriz, pois vou entender melhor o lado do meu diretor". Esse contato também serviu para a atriz confirmar o que já tinha observado na sociedade. "Percebi que, como todo jovem, os novos atores também estão mal informados sobre o mundo", reflete. "Eles têm pouca cultura e preparo, mas o teatro também é útil porque os obriga a pesquisar para criar um personagem", pondera. Para ela, essa inexperiência é compensada pela ousadia. "Eles são destemidos", observa. "Isso os ajudou a encarar o desafio do teatro e me inspirou para que eu superasse minha insegurança como diretora", comenta. "Mas essa petulância só é boa se for controlada". Quanto aos próximos projetos, a atriz não tem nada definido. "Recebi propostas para o teatro, mas só vou analisar depois que a peça estrear", diz. Para a TV, também não tem planos. "Se receber uma boa proposta, aceito, mas quero analisar bem o texto", conta ela, cujo último papel em novelas foi a grã-fina Diolinda, em "Torre de Babel". No mais, continua a seguir seu destino: "Na minha vida, tudo sempre aconteceu por acaso". Serviço - "Quinze Atores à Procura de um Papel". Direção e montagem de Cleyde Yáconis. Duração: 1h40. De segunda a sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. Grátis (retirar convite com uma hora de antecedência na bilheteria). Teatro Célia Helena. Rua Barão de Iguape, 113, tel. 279-0470. Até 19/3.





