O samba-rock e o soul nacional já viraram febre, salvando o emprego de muita gente que andava meio apagada no cenário. Essa onda, com jeitão de flashback, tem aspectos positivos ao lembrar de uma fase criativa da música brasileira. O grupo Clave de Soul traz a liderança de Tinho Martins (sax e voz), ex-Vitória Régia, a banda que acompanhava Tim Maia. E também carrega Paulinho Black, baterista da Banda Black Rio, que arrepiava no instrumental nos idos dos anos 70.
''Dançar é Bom'', álbum da Clave de Soul que está chegando às lojas pela Atração Fonográfica, reforça o espírito festivo do gênero com número reduzido de acordes, muito suingue e arranjos de sopros entre os vocais. Não chega a lembrar os bons momentos do estilo, mas não fica muito atrás em faixas como ''A Mina lá da Rua'', que marca o encontro com Gerson King Combo, feita para lotar as pistas.
O clima setentista é preservado e James Brown é uma das referências constantes. Outro bom momento é ''Tá Dando Mole, Zé'', composição de Cassiano, um dos pilares da black music nacional. Mas o repertório oscila as letras são frágeis e a capacidade instrumental do grupo acaba carregando composições que nem sempre dão conta do recado.

mockup