Cláudio Garcia expõe no Ouro Verde
Cláudio Garcia expõe no Ouro Verde
Mostra reúne aquarelas e gravuras que retratam paisagens
Ranulfo Pedreiro
Mario Cesar
Mario CesarCláudio Garcia: O figurativo também é uma abstração da realidadeDurante as travessias da Baía de Guanabara - necessárias para ir até o ateliê de gravura Ingá, onde estudava - Cláudio Garcia resolveu retratar a paisagem em algumas tiras de papel. O formato das tiras se tornou cúmplice da horizontalidade da costa. Garcia rascunhou o desenho na travessia e, ao chegar em casa, aquarelou o trabalho. A idéia foi aprimorada e ganhou diversas sequências, todas acompanhando o colorido e a luminosidade que o sol incute no delineamento dos morros cariocas.
O amplo conteúdo paisagístico ganhou especificidade quando o artista passou a dominar as técnicas da gravura. Formado em Arquitetura, Cláudio Garcia trabalhou com preservação do patrimônio histórico na região de Santa Teresa, um dos pontos mais antigos do Rio de Janeiro. Ali ele começou a desenhar os contornos das ruas e fachadas de prédios - ao contrário das aquarelas, em Santa Teresa o artista se prendeu a detalhes como postes e vitrais, sem ignorar a paisagem da região. As construções de Santa Teresa ganharam um formato mais apropriado ao detalhe, e foram retratadas em pequenas gravuras.
É essa perspectiva panorâmica das paisagens da travessia da Baía de Guanabara e sua contrapartida, as gravuras do morro de Santa Teresa, que compõem a exposição Paisagem Urbana, que Cláudio Garcia inaugura hoje, às 20h30, na Sala Celso Garcia Cid, do Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. As gravuras incluem também alguns cenários de Londrina, cidade onde o artista reside desde o ano passado.
A opção pelo trabalho figurativo veio naturalmente: Essa questão do figurativo e do rótulo abstrato vem gerando discussão desde o começo do século. Um trabalho pode ser figurativo ou não-figurativo. O figurativo também é uma abstração da realidade, que você passa para uma tela. Muita gente acha que abstrato é o quadro em que não há desenho. Eu não concordo com essa definição, comenta.
O zoom que a exposição de Cláudio Garcia remete pode ser constatado partindo da vista do litoral do Rio, onde são ressaltados a ponte Rio-Niterói, o Corcovado e outros monumentos da paisagem carioca, para as gravuras que destacam até a fiação das ruas de Santa Teresa, transformada pelo artista em complemento estético. É um ciclo de trabalhos que vai do geral ao particular, mesclado com uma visão arquitetônica e, talvez, influência dos paisagistas que estiveram no Brasil no século passado.
Os paisagistas eram contratados pela Marinha para documentar a costa brasileira. As influências acontecem inconscientemente. Se forem premeditadas perdem a espontaneidade. Você acaba escolhendo algo sem saber ao certo porque escolheu. Aí, com o passar dos anos, você vai descobrindo, ressalta Garcia.
A mesma naturalidade guiou o artista para duas técnicas distintas: a aquarela, caracterizada pela difícil precisão, e a água-forte, técnica de gravura minuciosa, capaz de registrar traços finíssimos. Meu trabalho é um pouco paralelo com a vida que eu tive. Comecei a fazer aquarela porque conheci a Guita Charifker, de Olinda. E passei a fazer gravura porque conheci a Anna Letycia, do ateliê Ingá, em Niterói.
A mostra Paisagem Urbana fica aberta ao público até o dia 31. A Divisão de Artes Plásticas da Casa da Cultura da Universidade Estadual de Londrina está oferecendo monitorias para as exposições realizadas no Cine-Teatro Ouro Verde. As monitorias podem ser individuais ou em grupo, e procuram facilitar a compreensão das obras expostas. Os interessados podem entrar em contato com a Divisão de Artes Plásticas pelo telefone (043) 322-6844.
Paisagem Urbana - Exposição de aquarelas e gravuras de Cláudio Garcia. Abertura hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina.





