Clássicos do cinema mexicano em mostra na Cinemateca
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Luiz Zanin Oricchio 
São Paulo, 04 (AE) - Uma segunda chance para quem não teve tempo de acompanhar o painel de melodramas mexicanos durante a Mostra Internacional de São Paulo: a Sala Cinemateca vai reprisar os filmes, para deleite de quem chora, ou ri, com as aventuras e desventuras de divas como María Felix, Dolores del Rio, Ninón Sevilla. Dirigidas por Emilio "Índio" Fernández
Roberto Gavaldón, Fernando de Fuentes e, quando a sorte se mostra favorável, fotografadas pelo mestre dos mestres, Gabriel Figueroa. São títulos conhecidos dos especialistas, como "Perdida", "Víctimas del Pecado", "Aventurera", "Doña Barbara".
O primeiro título da mostra é um clássico, "Aventurera", com Ninón Sevilla, dirigido por Alberto Gourt. O enredo é exemplar. Ninón, no papel de Elena, é a jovem de 18 anos que surpreende a mãe com o amante. Sob efeito do choque, o pai dela se suicida. Ninón tenta superar o trauma, mas todos querem abusar dela. Finalmente, acaba entrando na conversa de uma cafetina, que a embriga, lhe dá drogas e a arrasta à prostituição. Um dia, conhece um homem bom, que decide tirá-la da vida airada, mas tudo se complica quando ela vai conhecer a futura sogra. Para acreditar, só vendo.
A segunda atração de amanhã (05) é "Doña Barbara", de Fernando Fuentes, com a grande María Felix no papel principal. Ela é uma senhora de terras, autoritária e que entra em conflito com um advogado que tenta assumir o controle do latifúndio. Mas, ao mesmo tempo, Barbara cai de amores pelo causídico. Amor e ódio, paixão bandida, caliente como tacos apimentados, devidamente regados a tequila. A história de "Doña Barbara" é tão boa que recentemente foi refilmada pela norte-americana Betty Kaplan.
"Doña Perfecta", de Alejandro Galindo, traz o último vértice do triângulo de estrelas, Dolores del Rio. Na história, um engenheiro da capital chega à província e é mal recebido pela tia, que domina sua fazenda. A sua situação piora quando percebem que está apaixonado por sua sobrinha, Rosario. Ele está disposto a arriscar a vida pela mulher amada e tudo acaba em tragédia. "Perdida", de Fernando Rivero, que passa amanhã, é um verdadeiro inventário dos temas do melodrama. Ninón Sevilla é a bailarina que recorda seu passado.
Camponesa, apaixona-se por um toureiro, é desonrada por seu padrasto e não tem alternativa senão tornar-se atração principal de um prostíbulo. No final, reencontra seu amor, mas a felicidade não será possível (nunca é). O dramalhão, com seu fim lacrimogênio, é também considerado um melô de antologia. Pode-se rir dos enredos desses velhos filmes. No entanto, é preciso lembrar que a fórmula melodramática resiste impávida, devidamente atualizada, tanto no cinema quanto na TV.
Basta ver qualquer telenovela. Não é à toa que o noveleiro Sílvio de Abreu não perdia uma sessão dos melodramas na Mostra. E, depois, cá entre nós, quem resiste ao charme brega de María Felix, Ninón Sevilla ou Dolores del Rio? Serviço - A Época de Ouro do Melodrama Mexicano. Amanhã, às 18 horas, Aventurera, de Alberto Gourt; às 20 horas, Doña Barbara, de Fernando Fuentes; às 22h15, Doña Perfecta, de Alejandro Galindo. Sábado, às 16 horas, Perdida, de Fernando A. Rivero; às 18h30, El Robozo de Soledad, de Roberto Gavaldón; às 20h30, La Mujer del Puerto, de Arcady Boytler; às 22 horas, Las Abandonadas, de Emílio Fernández. R$ 8,00. Sala Cinemateca. Largo Senador Raul Cardoso, 207, tel. 5084-2177. Até 11/11


