Clássicos de contos de fada ganham novas edições
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Bia Reis <br> Agência Estado 
São Paulo - Animais que falam, princesas que sofrem, reis e rainhas, fadas madrinhas, gigantes. As histórias se passam em um lugar longínquo, muitas começam com ''era uma vez'' e os personagens têm nomes simples, às vezes apelidos. E, como se fosse mágica, o leitor mergulha em um mundo onde tudo é possível: um pé de feijão pode crescer até o céu e um tapete, voar.
Conforme atravessaram os séculos, os contos de fadas foram ganhando nova roupagem. A narrativa central permaneceu, mas, em geral, eles se tornaram mais leves, açucarados. Na versão original de ''Chapeuzinho Vermelho'', por exemplo, o Lobo come a Vovó e a menina - e não há nem sombra dos caçadores.
O mesmo aconteceu com a história da rainha má que tenta a todo custo acabar com a vida da enteada, apontada pelo Espelho como a mulher mais bela do reino. Criado entre os séculos 16 e 17, o conto foi reescrito pelos irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) e ganhou o mundo com a versão de Walt Disney para o cinema, em 1937. Mas, nesse caso, foi o americano quem colocou o açúcar.
Na versão dos irmãos Grimm de ''Branca de Neve'', cujo texto está sendo relançado pela Geração Editorial, após receber do caçador pulmões e fígado de um javali, a madrasta pede ao cozinheiro que ferva os órgãos e os come pensando que fossem da moça.
A rainha má tenha matar a enteada não uma, mas três vezes. Primeiro, vai à casa dos sete anões e, disfarçada de vendedora, oferece laços para espartilho. Branca de Neve deixa que a senhora coloque a fita, e ela a aperta com tanta força que faz a garota desmaiar. Depois, a rainha tenta matá-la com um pente envenenado para, finalmente, lançar mão de sua estratégia mais conhecida: a maçã cheia de veneno.
O fim da história também é mais dramático. Não há o famoso beijo e o ''então viveram felizes para sempre''. Branca de Neve volta à vida quando, ao ser carregada pelos servos do príncipe, um deles tropeça e, com o solavanco, um pedaço de maçã envenenada sai da garganta da moça.
A madrasta é convidada para o casamento de Branca de Neve com o príncipe, e os dois se vingam da rainha cruel fazendo com que ela calce sapatos de ferro aquecidos sobre carvões em brasa e dance.
Além de resgatar os aspectos mais sombrios do texto, a Geração Editorial apostou em uma edição luxuosa, com capa dura, e nas ilustrações da americana Camille Rose Garcia. A desenhista transformou a doce Branca de Neve em uma personagem quase gótica, deu quatro olhos à rainha má e compôs um príncipe que não é exatamente o que chamamos de um homem forte e viril.
De pato a cisne
Outra versão original que acaba de ser relançada é ''O Patinho Feio'', do escritor Hans Christian Andersen (1805-1875), pela Companhia das Letrinhas. Diferentemente do que ocorre com Branca de Neve, o texto de Andersen é próximo ao que conhecemos.
Com ilustrações do francês Henri Galeron, o livro revela, em suas últimas páginas, um pouco da vida do escritor dinamarquês e apresenta uma série de desenhos feitos em diferentes épocas para um dos contos mais adaptados, reescritos e transcritos da história.
Branca de Neve
Autores - Irmãos Grimm
Editora - Geração Editorial
Páginas - 80
Quanto - R$ 26
O Patinho Feio
Autor - Hans Christian Andersen
Editora - Companhia das Letrinhas
Páginas - 31
Quanto - R$ 30


