Quem frequenta bares com música ao vivo, sabe que alguns hits nunca saem do repertório. Repetitivos para alguns, os sucessos que atravessam o tempo embalam lembranças e bebedeiras homéricas
‘‘Oh, meu amor/ não fique triste/ saudade existe pra quem sabe ter/ minha vida cigana/ me afastou de você...’’. A letra dessa música faz lembrar alguma coisa? Quem sabe essa: ‘‘Caía, a tarde feito um viaduto/ E um bêbado trajando luto...’’. Quem frequenta bar com música ao vivo conhece de cor alguns ‘‘clássicos’’ como ‘‘Vida Cigana’’, ‘‘O Bêbado e o Equilibrista’’ e uma série de outras campeãs de pedidos nas noites: ‘‘Andança’’, ‘‘Tarde em Itapo㒒, ‘‘Paixão’’, ‘‘Ovelha Negra’’, ‘‘Espanhola’’, ‘‘Como Nossos Pais’’... Uma lista quase interminável de sucessos que marcaram época e, surpreendentemente, não saem da cabeça das pessoas. Mesmo depois de 10, 20, 30 anos.
Para desespero de alguns músicos, os fãs de músicas de barzinho continuam cativos. Em Londrina, passada uma época de escassez noturna, este tipo de programa voltou com toda força. Não falta gente que bate ponto nos bares que oferecem atrações musicais. E gente que sai de casa para ouvir, cantar, dançar, bater palma e curtir... aquelas mesmas canções.
Uma frequentadora de barzinhos com música ao vivo é Maria José de Carvalho Ponti, que de tanto frequentar os shows, vez ou outra sobe ao palco do MPB Bar para dar uma canja junto com o cantor da noite. Ela acredita que seu gosto por este tipo de música é influência dos pais, na época que ela era adolescente. ‘‘São músicas que nunca vão morrer. Não são como as de hoje’’, diz.
Filha de músico, Maria José lembra que sempre conviveu com muitos deles. ‘‘Isso marcou bastante. Hoje em dia, não é assim. Minha filha gosta das músicas que eu gosto de tanto que ouve. Já meu filho só gosta de rock. Acho que é falta de opção. Tem muita música descartável’’, reclama uma das fãs de ‘‘Geni e o Zepelim’’ e ‘‘Como Nossos Pais’’.
Maria José diz que Londrina precisa de mais barzinhos com música ao vivo, já que os poucos que oferecem o atrativo vivem lotados. ‘‘Fica difícil sair num sábado à noite e enfrentar uma fila de 50 pessoas para ouvir música’’, afirma. E Maria José é daquelas que gostam mesmo do programa: ela canta, bate palma e faz tudo para curtir uma noitada de música ao vivo. ‘‘Geralmente sou sempre a última a sair’’.
Os músicos bem que tentam inovar os repertórios. O cantor e violonista Marcelo Camargo tem um leque bem variado de opções. ‘‘Se pedirem qualquer uma delas eu toco, mas tudo depende do momento, do humor, se eu já toquei outras vezes... Procuro atender os pedidos, falo com o público e deixo as pessoas à vontade. Tento ser franco quando não vou tocar determinado tipo de repertório e contorno a situação, sugerindo outro compositor. Dou atenção, afinal, estou ali por causa daquelas pessoas’’, diz.
A cantora Cristina Tonin, que se apresenta com o violonista Eduardo Brancalion, diz que monta o repertório de acordo com a cara do bar. ‘‘Tem uma diferença de público muito grande, variando também o dia e o local’’, explica. Para ela, as platéias muitas vezes chegam a surpreender em seus pedidos. Por isso, Cristina acha importante o retorno do público, através do famoso bilhetinho.
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