Clássico reflete sobre a condição da mulher
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Clássico é clássico porque não envelhece. O texto original consagrado sempre vai servir de referência e manter-se atual, não importa em que época ou lugar. Por isso mesmo ''Medéia'' é um clássico. E a história da mulher mais sentimentalmente contraditória da mitologia grega é ponto de partida em mais uma montagem da atriz Claudete Pereira Jorge, que, em espetáculo dirigido por Marcelo Marchioro, discute o papel feminino na sociedade.
''Eurípedes fala muito da condição da mulher grega. Percebo que as coisas não mudaram muito, que em alguns lugares do mundo a mulher ainda é oprimida, ainda não tem voz... Mesmo aqui no Brasil'', comenta Claudete, que perto das 60 peças já encenadas em toda a carreira, diz realizar um sonho. ''Desde que a gente montou 'À Grega', em 2000, temos essa vontade.''
Em ''Medéia'', com texto original de Eurípedes, a protagonista é tomada por uma ira incontrolável ao ser ignorada por Jasão, que, influenciado pelo rei Creonte, decide largar Medéia e seus filhos para se casar com Glauce. Enfurecida, Medéia decide colocar um plano de vingança em ação, que destaca sentimentos confusos, entre o amor e o ódio, a compaixão e a crueldade.
''É também uma peça que toca no tema da violência, porque ainda jogam-se filhos pela janela.'' A atriz Helena Portela participa da montagem.
Além de tocar em temas atuais, a Medéia de Claudete também quer chamar a atenção para o texto clássico. ''As pessoas já não sabem mais o hino nacional, porque é longo, é um absurdo uma cantora subir no palco e esquecer o hino... A língua portuguesa está acabando, as palavras estão sendo simplificadas, o País não tem memória... E daí você lê Ilíada e se apaixona. Isso não é conservadorismo, é respeito'', opina.
Serviço
- Medéia
Quando - De hoje até o dia 20 de junho, sexta-feira e sábado, 21h, e domingos, 19h
Onde- Guairinha, em Curitiba
Quanto - R$ 20 e R$ 10


