Clássico em DVD
Arquivo FolhaA Dama Oculta, de Alfred Hitchcock: mistério e humor em combinação exemplarClássico em DVD
Em meio a tantos títulos banais lançados no Brasil em DVD, destacam-se os da distribuidora Continental, que nos últimos meses tem oferecido boas opções neste formato e, pegando carona nas comemorações do centenário de nascimento de Alfred Hitchcock, acaba de colocar no mercado a versão digital de A Dama Oculta (The Lady Vanishes, 1938), uma das mais importantes realizações do cineasta em sua fase inglesa.
Com um elenco consistente (Margaret Lockwood, Michael Redgrave, Paul Lukas, Dame May Whitty, Googie Withers, Cecil Parker, Catherine Lacey, Naunton Wayne e Basil Radford - os dois últimos interpretando uma dupla de cavalheiros entediados memorável), o filme é uma hábil e inteligente combinação de suspense e comédia, envolvendo o desaparecimento de uma velha senhora num trem em movimento e uma mensagem em código que precisa chegar à Inglaterra.
Cenas antológicas (entre elas, a da freira com saltos altos) e boas idéias que Hitchcock retomaria em trabalhos subsequentes (a da música como código secreto reaparece na segunda versão de O Homem que Sabia Demais, de 1956) garantem para A Dama Oculta a condição de clássico no qual se descobrem novos méritos a cada revisão.
Entre elas, Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin, e Cidadão Kane (1941), de Orson Welles, que podem ser encomendados através do telefone (011) 287-2696. O ponto alto dessas comemorações será a retrospectiva que o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) estará apresentando a partir do dia 15 de junho e inclui todos os filmes que o diretor realizou na Grã-Bretanha e nos EUA entre 1925 (The Blackguard) e 1976 (Trama Macabra), exceto The Mountain Eagle (1927), do qual todas as cópias se perderam, e Janela Indiscreta, atualmente em processo de restauração.
Links para aventuras musicais
Prática muito comum no jornalismo cultural brasileiro, não referir as fontes das informações - em especial, as de origem estrangeira - atende ao propósito de fazer com que o crítico (título que não raro se aplica ao mero resenhista) pareça mais inteligente e melhor informado do que geralmente é (esse tipo de crítico tem orgasmo intelectual quando comenta um livro, um filme ou um disco que, aparentemente, só ele conhece) e constitui um desserviço ao leitor, a quem cabe concordar com a opinião de que tal ou qual obscuro produto cultural (ao qual ele não tem acesso) foi produzido por algum gênio revolucionário, arauto da arte do futuro - ou coisa parecida.
Como também costumo recomendar trabalhos que considero relevantes, realizados por artistas pouco (ou nada) conhecidos em nosso País (e o faço não por exibicionismo, mas porque não dormiria em paz se não compartilhasse aquilo que vou descobrindo e julgo significativo, confiando, idealisticamente, que, a longo prazo, com maior acesso à educação e à informação, é possível melhorar o perfil cultural brasileiro), procuro, ao menos, indicar a procedência das informações que veiculo.
Dentro desse espírito, remeto o leitor a uma das melhores e mais cultas revistas britânicas de música, The Wire, que merece integralmente o seu subtítulo - adventures in modern music. Por ser uma revista que, mesmo nas bancas que dispõem de uma grande variedade de títulos importados, é difícil de ser encontrada (e, para piorar, suas edições chegam ao Brasil com atraso de até três meses), sugiro uma visita ao site da publicação (www.dfuse.com/the-wire).
Nele, o visitante encontrará, entre outros itens, uma boa seleção de artigos sobre música contemporânea e entrevistas com músicos de vanguarda (John Cage, Ornette Coleman, Karlheinz Stockhausen, Sun Ra, Iannis Xenakis, Evan Parker, Bill Laswell, entre outros) e links para os sites específicos de experimentalistas como Thomas Köoner, Justin Bennett, Buckethead, Rhys Chatham, Fred Frith, Keiji Haino, Paul Schutze, Elliot Sharp e John Zorn, e alguns dos grupos mais criativos das últimas décadas, como o Coil, Faust, Laibach, Nurse WithWound, Matmos e muitas outros mais. Experimente. Música inventiva não dói e não custa conhecer quem a produz.





