Clássico de volta às livrarias
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Imagine uma época em que a informação era algo escasso. Uma época em que qualquer país fora da Europa ocidental era totalmente desconhecido da grande maioria da população. Nesse tempo, a globalização não era sonho nem demagogia: não existiam imprensa, televisões, rádios e os poucos livros eram manuscritos. As notícias demoravam meses, até anos. Foi nesse mundo que o veneziano Marco Polo viajou para o oriente e, depois, narrou suas aventuras.
As Viagens de Marco Polo, que a Ediouro está relançando com texto de Carlos Heitor Cony e Lenira Alcure, se tornou uma das obras mais populares da Idade Média ao retratar com enfoque pessoal as maravilhas que se estendiam pelo oriente.
Marco Polo acompanhou o pai, Nicolau, e o tio, Mateus, rumo ao reino de Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, em uma viagem que começou em 1271 e terminou em 1295. O roteiro incluiu terras que hoje pertencem à Índia, China, Rússia, Oriente Médio e África. Observador, Marco Polo anotou o que viu e ouviu.
A ótica obedece ao catolicismo da época, mas o autor também procurou reconhecer os benefícios de culturas que desconhecia. Ainda assim, ao passar entre a Caxemira e o Afeganistão atuais, anotou sobre o povo de Bastiaz: Os habitantes falam língua própria e são de pele escura; adoram ídolos, têm artes com o diabo e são gente malvada.
Há dados interessantes. Quando um governante tártaro (mongóis e turcos) morria, o cortejo seguia para a montanha de Altai, entre a China e a Mongólia. Todas as pessoas que viviam nas regiões por onde o féretro passava eram mortas, segundo a crença, para servir o defunto no outro mundo. Por isso, quando Mongu Khan morreu, mais de 20 mil pessoas foram assassinadas.
E tem muito mais. Os tártaros se alimentavam de leite de jumenta, e faziam uma pasta de leite seco que era levada em viagens. Ao ser misturada com água, a pasta tomava novamente a forma de leite. Ou seja, nada muito diferente do nosso leite em pó.
Os tártaros tinham hábitos capazes de arrepiar os cabelos dos europeus da época. Desposavam quantas mulheres podiam, mas não cobiçavam as esposas do próximo. Quando as viagens eram longas e a caça rara, bebiam o sangue do próprio cavalo, sugando-lhe uma veia perfurada. Esse recurso garantia-lhes a sobrevivência.
Além dos hábitos, Marco Polo registrou a riqueza de várias regiões, relatando detalhes da gastronomia, da agricultura, hábitos sociais e até milagres. Seu livro teve impacto no ocidente porque ampliava os limites geográficos, mostrando culturas completamente diversas das européias. Acabou se tornando um estímulo a mais para as navegações que definiriam os contornos do globo. A edição é cuidadosa, com ilustrações e notas explicativas no rodapé. Com 260 páginas, As Viagens de Marco Polo está nas livrarias por R$ 23,90.


