A organização do 56 Festival de Cannes, que será realizado de 14 a 26 de maio, programou para a sessão oficial de encerramento nada menos que um clássico imortal: ''Tempos Modernos'', de 1936, o último filme silencioso realizado por Charles Chaplin. A exibição de ''Modern Times'' no último dia da mostra quebra com a prática usual de fechar a programação com um filme inédito.
A escolha representa mais uma vitória importante para a companhia francesa MK2, que detém os direitos de distribuição mundial de 17 filmes assinados por Chaplin. Há dois anos, a companhia, presidida pelo produtor Marin Karmitz, fechou um acordo com herdeiros da família Chaplin, quando adquiriu um catálogo com os títulos chaplinianos para veiculação de cópias restauradas em salas e em DVD. A Warner Home Vídeo também estaria envolvida nesta negociação.
No ano passado, o Festival de Berlim fechou a programação oficial com ''O Grande Ditador''. A mostra alemã já tinha encerrado outras edições recentes com a exibição de clássicos - ''Porgy and Bess'' de Otto Preminger em 1999 e ''2001 - Uma Odisséia no Espaço'' de Stanley Kubrick em 2001.
Duas as razões prováveis para a escolha de um filme já visto e irrestritamente bem-amado pela comunidade cinéfila que estará em Cannes. A primeira fica por conta do esvaziamento do último dia do Festival, quando a maioria dos jornalistas e compradores do Mercado do Filme já voltou para seus países. Filmes inéditos correm sempre o risco de baixa audiência e consequente pouca repercussão na mídia internacional. Clássicos consagrados como ''Tempos Modernos'' estariam a salvo também de uma repercussão negativa.
O outro motivo, bem menos técnico, estaria relacionado à declarada paixão do diretor artístico de Cannes, Thierry Fremaux, pelos filmes mudos.

mockup