Classe média volta a aquecer turismo na América do Sul
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - A combinação de atrativos sedutores para boa parte da classe média como neve, cenário europeu e principalmente preços baixos que fazem parte dos pacotes para a Argentina e Chile, deram um impulso extra nas vendas de roteiros internacionais feitas pelas operadoras e agências de viagem nestas férias de julho. ''Quem não foi para Paris nos últimos dois anos e meio está em Buenos Aires ou em roteiros de neve em Bariloche ou no Chile'', diz o diretor da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Leonel Rossi Júnior.
Os pacotes para a Argentina e Chile, avalia, tiveram um crescimento médio de vendas de 50% a 60% em relação ao mesmo período em 2002. A CVC, que operava em julho do ano passado com dois aviões semanais fretados para Bariloche, na Argentina, este ano está com seis aeronaves para atender à demanda. ''Além da desvalorização do peso, que deixou os preços atraentes para quem carrega reais no bolso, a Argentina voltou a ser segura para o turista'', diz o vice-presidente da Agaxtur, Aldo Leone Filho. No ano passado, a agência quase fechou seu escritório em Buenos Aires, porque temia a instabilidade do país. ''Não sabíamos o que iria acontecer. Mas o cenário mudou.''
A diretora comercial da Soft Travel, Magda Nassar, lembra que um pacote de quatro dias para Buenos Aires, este mês, considerado de alta temporada, sai por US$ 224. ''O preço é irresistível, mesmo se a estadia se estender por mais alguns dias'', afirma. ''Para se ter idéia uma semana na Praia do Forte na Bahia, em um resort, sai por volta de R$ 2.800.''
Com a estabilidade cambial, o fim da guerra no Iraque e passados quase dois anos do ataque às torres do World Trade Center, em Nova York, a procura por pacotes internacionais começa a melhorar. A Argentina, confirmam os diretores das agências de viagem, tem sido imbatível nesta retomada por causa dos preços. Mas os roteiros para a América do Norte e Europa estão voltando a ser procurados. As vendas para os Estados Unidos aumentaram de 5% a 10% em média na comparação com julho passado, de acordo com a Abav.
Na semana passada, Aldo Leone Filho, da Agaxtur, comemorava a venda de um pacote para a Disney com guia, para 35 crianças. ''Há dois anos que não vendíamos este tipo de programa. Parece que o fantasma que rondava os Estados Unidos e assustava o turista perdeu a força'', diz.
Mas para o diretor de vendas da CVC, Walter Patriani, nem todos os turistas estão tão seguros para viajar para destinos americanos . ''Ainda percebo um certo receio no consumidor.'' Sua aposta é num reaquecimento do mercado nos próximos meses e numa parceria estratégica acertada com a Disney Eventos. O alvo será o público que estará em Campos do Jordão nesta temporada, especificamente visitando uma réplica da casa do Mickey, construída pela Disney Eventos. ''Vamos estar lá para mostrar aos turistas que a partir de US$ 550 é possível ir a Orlando.''
Com o dólar estável e mais baixo do que em julho passado, quando chegou a valer R$ 3,47, o que ainda desmotiva os candidatos a pacotes para os Estados Unidos, de acordo com as agências de viagem, é o visto. ''É caro, demorado e as exigências e entrevistas desanimam o turista'', diz o diretor da CVC. Já o recuo do dólar, observa, além de ser um chamariz para interessados em pacotes internacionais, beneficiou a negociação das empresas com os fornecedores. ''Todos os fretamentos de aviões da empresa são fechados em dólar. Com a queda conseguimos uma redução de 20% nos preços.''
A Europa, com o euro cotado a US$ 1,14, virou opção, mesmo após a guerra, para o consumidor de maior poder aquisitivo. ''O fato é que a renda do brasileiro caiu sensivelmente e o perfil de quem escolhe os destinos europeus para passar as férias não é do passageiro que viaja pela primeira vez'', diz Magda Nassar, da Soft Travel. O movimento para a Europa, explica, começou a melhorar a partir de maio e os preços dos pacotes, dependendo do lugar, estão similares ao do ano passado. Um pacote para Paris de seis noites, incluindo passagens e hotel sai por US$ 1.100, o mesmo valor do ano anterior.
Para Patriani, da CVC, o brasileiro adapta os programas de viagem ao momento econômico que está vivendo. ''Tenho notado que os circuitos europeus de 20 dias duram hoje de 12 a 15 dias. O valor da passagem não aumentou, mas os gastos em euro é que pesam no bolso.''


