Classe média em alta
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de julho de 2006
Luiz Almeida<br> TV Press 
O autor Manoel Carlos tem como uma de suas marcas registradas a forma singular de mostrar o cotidiano da classe média. Essa característica faz com que suas novelas obtenham identificação com uma parte expressiva da audiência a mesma que não se vê retratada pelos milionários pernósticos ou pelos suburbanos cafonas, tão explorados por outros autores. E essa visão naturalista da classe média vai estar novamente em evidência em Páginas da Vida, que estréia na Globo hoje, no lugar de Belíssima.
Além de se passar no bairro carioca do Leblon onde mora o autor e onde se passaram boa parte de suas tramas , a nova novela das oito também traz outra característica inerente a Manoel Carlos: um elenco generoso de nada menos que 86 nomes com as participações especiais, deve chegar a 130. Sob a direção de Jayme Monjardim estarão alguns dos mais prestigiados nomes do casting da emissora, como Regina Duarte, José Mayer, Tarcísio Meira, Glória Menezes, Edson Celulari, Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, entre outros.
O fato de Páginas da Vida ter tantos pontos em comum com suas tramas anteriores não escapa a Manoel Carlos. Dessa vez, o diferencial é que a síndrome de Down é a espinha dorsal da novela, se apressa em avisar o autor.
A síndrome de Down, por sinal, começa a ser abordada logo na primeira fase da novela, que terá 18 capítulos e se passará ano de 2001. Nesse período, um dos focos principais da trama vai ser o romance entre Nanda e Léo, personagens de Fernanda Vasconcelos e Thiago Rodrigues. Estudantes brasileiros que vivem em Amsterdã, os dois se verão envolvidos numa gravidez indesejada e Nanda, ao decidir não interromper a gestação, volta da Holanda para dar à luz no Brasil. Aqui, Nanda acaba morrendo no parto, depois de gerar um casal de gêmeos, sendo que a menina é portadora da síndrome de Down. Apesar de ser apenas uma participação, a Nanda será o pontapé inicial de uma grande discussão, valoriza a atriz Fernanda Vasconcelos.
Essa discussão tem como peça central a menina Clara, que vai despertar o sentimento materno na médica Helena, de Regina Duarte, responsável pelo parto e que perdeu a única filha ainda pequena. A obstetra, ao saber que a avó Marta, personagem de Lília Cabral, rejeita a criança, resolve adotá-la. Passados cinco anos, já em 2006, Helena lutará pela inclusão social de Clara, que será interpretada por Joana Morcazel, e vai matriculá-la numa escola para crianças sem deficiências. Essa história mostrará como as pessoas lidam com doença, com ou sem preconceito, ressalta Regina Duarte. É o forte preconceito, aliás, que dará a tônica de Marta, de Lília Cabral.
A atriz acredita que, pela primeira vez na carreira, o público poderá sentir raiva de uma personagem sua. Ela não é uma vilã, mas suas atitudes serão reprováveis. Espero não apanhar na rua, exagera.
Mas nem só em merchandising social se baseia Páginas da Vida. Os inevitáveis conflitos amorosos também estarão presentes. É o caso de Olívia e Silvio, de Ana Paula Arósio e Edson Celulari, que embora apaixonados, prometem manter uma relação de muitos contrastes. Isso porque o austero militar Silvio desaprova as atitudes moderninhas da esposa. São sintonias singulares, como notas musicais muito distintas, compara Celulari. Já Ana Paula Arósio acrescenta que Olívia, dona de um espírito irrequieto, sempre surpreenderá o marido conservador. No início é um verdadeiro conto de fadas, mas com o tempo poderá pintar até triângulo amoroso. Quem sabe?, insinua.
Triângulos amorosos, aliás, não vão faltar. Um deles é protagonizado por Helena, Gregório e Carmem, de Regina Duarte, José Mayer e Natália do Vale. José Mayer, que está em sua quarta novela de Manoel Carlos, conta que Gregório, por se sentir infeliz no casamento com Helena, não pensa duas vezes na hora de assediar Carmem, filha de seu patrão, o Tide, de Tarcísio Meira. E ela não será a única, já que Gregório será um conquistador incontrolável. O Maneco adora me dar papéis assim, o que contribui para a minha fama de garanhão. Mas acho ótimo, admite.


