Classe artística se une para defender FILO
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Se dependesse da comunidade cultural londrinense, o Festival Internacional de Londrina (FILO), prestes a comemorar 40 anos, não se tornará um maior abandonado, depois que o governo estadual retirou o investimento de R$ 350 mil, deixando como saldo um déficit que pode chegar a R$ 150 mil. Produtores, atores e entidades de classe decidiram se unir numa manifestação na próxima terça-feira, às 11 horas, saindo em passeata do Calçadão à Concha Acústica.
Bastou a negativa do governo na última quarta-feira para que a classe artística articulasse uma manifestação de apoio ao FILO e contra a decisão do governo. Na manhã de ontem, algumas pessoas se reuniram no Calçadão para discutir o movimento que, além de terça-feira, deverá promover uma passeata no próximo sábado.
Nem bem a poeira baixou com o passo atrás do governo do Estado em relação ao FILO, a comunidade cultural londrinense já está preocupada com a realização do 27º Festival de Música de Londrina (FML), que deve começar no próximo dia 5.
A organização do FML ainda não tem uma confirmação sobre o repasse de R$ 200 mil do governo estadual, recurso que se somaria ao orçamento total de R$ 850 mil - o que desperta preocupações.
A assessoria de imprensa do festival informou que o diretor artístico do FML, Marco Antônio de Almeida, somente irá se pronunciar sobre isto na entrevista coletiva de abertura do evento, na próxima terça-feira.
''Tem que ser perguntado para o governo do Estado. Há sim uma preocupação com o Festival de Música. As pessoas têm que saber que não é uma ação somente em relação ao FILO, mas que pode ser também a outros festivais'', afirmou o secretário de Cultura, Luciano Bitencourt, que esteve ontem no Calçadão, ao ser questionado sobre a sua preocupação com cortes de verbas no FML.
Nos bastidores, algumas fontes enxergam como motivação para a decisão do governo, a contenção de despesas por problemas financeiros, mas também pelo descontentamento com a cidade, onde obteve uma votação pequena.
Para Bitencourt, a prefeitura fez a sua parte ao investir no festival. ''Sobre o governo estadual, tentamos de diversas maneiras, mas a nossa relação é institucional. Fizemos uma solicitação de recursos, mas não podemos interferir no governo'', acrescentou o secretário.
Indignados, representantes da classe artística londrinense e da organização do FILO ressaltam que a decisão do governo acaba refletindo na população, que constatará o grande trabalho que é organizar o maior festival de teatro da América Latina. ''As pessoas precisam entender que o FILO movimenta toda uma cadeia, desde a rede hoteleira, restaurantes e o comércio, o que deve ser levado em consideração'', destacou Paulo Braz, da comissão de organização do FILO.


