Claridade e solidão
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Por que a solidão, cada vez mais presente na vida das pessoas, tem que ser necessariamente escura e asfixiante? Fugindo deste clichê o diretor Surian Barone escolheu o caminho da luz para falar do tema que é a matéria básica da peça Laços, com estréia marcada para hoje, às 21 horas, em novo endereço cultural da cidade: Rua Clotário Portugal, 98, em Curitiba.
Duas atrizes estarão em cena: Fabiana Ferreira e Patrícia Reis. Os textos que elas apresentarão em forma de monólogos são do ensaísta, diretor e dramaturgo Botho Straus, do poeta e ensaísta Hans Magnus Ezemberger e do mineiro Wagner Salazar, que fez a adaptação do material para o teatro, incluindo sua própria produção literária.
Este é um trabalho poético e reflexivo, diz Fabiana Ferreira. Ele reflete a solidão atual, o espaço cada vez mais fechado, os apartamentos, os carros e o homem dentro desse cenário. Porém, não é torturante. Pelo contrário, argumenta a atriz. O espetáculo é sensível, e ao mesmo tempo é feito com muita simplicidade.
Há meses Laços vem sendo gerado. Fabiana alugou a casa da Clotário Portugal, cuidou das reformas, mandou pintá-la com cores claras por sugestão do diretor e, finalmente, está tudo pronto para dar fim à gestação.
Surian Barone criou uma montagem cuja marca é a economia de todos os elementos. Temos um mínimo de figurino, de maquiagem, do movimento das atrizes, do espaço cênico, da luz. Quero tudo reduzido, avisa o diretor. Até mesmo a platéia, que não deverá ultrapassar 30 pessoas, para não prejudicar a peça.
Este cuidado na encenação deve-se à particularidade da poesia que serve de matéria-prima para a montagem. Não estou lidando com texto que foi feito para teatro. As atrizes têm que pensar no poema, é preciso ouvi-lo, explica.
Em sua concepção o espetáculo acontece de forma periférica as mulheres, representando dez personagens, aparecem nas portas e janelas, caminhando por fora da casa. A idéia inicial era que o público circulasse pela casa, mas a direção optou por uma única sala. Poesia pede atenção, opina Barone.
Laços tem início, meio e fim dentro da solidão. Porém, o encerramento se dá como se fosse uma celebração. A gente quer falar dela com muita claridade, não gosto de teatro escuro, finaliza o diretor.
Laços, coletânea de textos de Botho Straus, Hans Magnus Ezemberger e Wagner Salazar. Adaptação de Wagner Salazar, direção de Surian Barone. Com Fabiana Ferreira e Patrícia Reis. Estréia hoje, às 21 horas. Local: Rua Clotário Portugal, 98, esquina com a Rua Augusto Stelfeld. Temporada vai até novembro, sempre de quinta a domingo, às 21 horas. Ingressos: R$ 5,00.





