Começa amanhã a edição 2002 do Festival Internacional de Londrina (Filo), evento que até o dia 25 movimenta a cidade com mais de 40 apresentações de grupos de 11 países. Para a abertura oficial, a organização do festival traz para a cidade, em única apresentação, a Companhia Cisne Negro de Dança (SP), considerada uma das melhores do gênero no Brasil. O espetáculo de amanhã, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, apresenta as coreografias ‘‘Além da Pele’’ e ‘‘Trama’’, com 14 bailarinos dirigidos por Hulda Bittencourt.
Os dois recentes trabalhos fazem parte de ‘‘Momentos Marcantes’’, série comemorativa aos 25 anos da companhia, que nasceu da aproximação de alunos do Estúdio de Ballet Cisne Negro e atletas da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo.
Hulda Bittencourt diz que estar comemorando essa marca já é um momento bastante feliz. ‘‘Também estamos remontando vários momentos marcantes da Cisne Negro, com coreografias antigas até produções dos últimos anos, para que as gerações que não conheceram os trabalhos anteriores tenham essa oportunidade’’. O repertório objetiva homenagear profissionais que colaboraram para o sucesso da companhia.
A diretora da Cisne Negro aposta na receita da diversidade e a cada trabalho tem um novo coreógrafo convidado. ‘‘Isso é muito rico para o público e para os bailarinos que conhecem diferentes experiências’’, analisa.
‘‘Além da Pele’’ foi montada em 1998 pelo francês Patrick Delcroix, bailarino e coreógrafo da companhia holandesa Nederlands Dans Theater I. Para criar essa coreografia, ele partiu da idéia de que cada pessoa é aquilo que sua imaginação determinar. ‘‘Além da aparência, nós podemos ser qualquer outra coisa, ter uma outra personalidade, ter outros desejos ou sermos nós mesmos. Cada um é a sua própria imaginação’’, afirma Delcroix, que assina ainda o figurino.
Hulda Bittencourt comenta que sempre está garimpando talentos e, nessa busca, descobriu Delcroix. ‘‘O trabalho dele fez tanto sucesso que a companhia vem apresentando ‘Além da Pele’ há quatro anos sem parar’’. O resultado disso é que o francês foi novamente requisitado e no dia 7 de junho a Cisne Negro estréia em São Paulo a coreografia ‘‘Cherché, trouvé, perdu’’.
A trilha sonora, assinada por Eduardo Ferreira Paes Júnior, passeia por quatro momentos: Eddie ‘‘Flashin’’ Fowlkes (Black Soul), Doctor L (Time stretched to the vibration), Suba, featuring Arnaldo Antunes (Abraço) e Muki (Concord).
A segunda coreografia do espetáculo, ‘‘Trama’’, é uma criação de 2001 do ex-bailarino da Cisne Negro, Rui Moreira (ex-integrante do Grupo Corpo e fundador da Cia. SeráQuê?, ambos de Minas Gerais). Ele voltou a trabalhar com a companhia paulista mostrando a cultura popular na dança, num espetáculo que busca inspiração na rica diversidade cultural brasileira.
‘‘Trama ’’ é inspirada no Brasil mestiço, cujas festas populares, folguedos e personagens místicos revelam o caminho transcendente e contagiante da alegria do País. ‘‘A coreografia é uma miscelânea de raças e influências brasileiras. A pesquisa se deu em cima dessa trama’’, explica a diretora. Para traçar este retrato, Rui Moreira montou uma coreografia calcada no ritmo forte de Lenine, Marco Suzano, Mestre Ambrósio e temas da coletânea ‘‘Música do Brasil’’.
Hulda Bittencourt salienta que tanto cenografia, como iluminação e figurinos se entrelaçam na trama. O cenário é composto por tapeçarias translúcidas e mantos vazados feitos pelo artista plástico capixaba Hilail Sami Hilail. A iluminação de André Stefenon Botto incide sobre esses tecidos e cria sombras projetadas no palco, que se transformaram num rendilhado virtual. Os figurinos ficaram a cargo do estilista Eduardo Ferreira, criador da estética ‘‘mangue beat’’.
A Cisne Negro é patrocinada pela BR Distribuidora, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e Funarte.
Serviço: ‘‘Momentos Marcantes’’, espetáculo da Companhia Cisne Negro de Dança, de São Paulo. Amanhã, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina. Direção artística: Hulda Bittencourt. ‘‘Além da Pele’’: Patrick Delcroix. Trilha Sonora: Eduardo Ferreira Paes Júnior. Projeto de luz: Joyce Dummond. Figurino: Patrick Delcroix. ‘‘Trama’’: Rui Moreira. Figurinos: Eduardo Ferreira. Cenografia: Hilal Sami Hilal. Iluminação: André Boto. Ingressos: R$ 10,00 (Estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam meia).

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