Belém - É sagrado. Todo segundo domingo de outubro, moradores e turistas de todo o Brasil transformam-se num mar de gente. Nessa época, o número de habitantes dobra. Dois milhões de visitantes, por ano, percorrem um trajeto de dois quilômetros e meio para seguir uma das maiores festas religiosas do Brasil e a mais importante do Estado: a Procissão do Círio de Nazaré. O evento, que dura meio dia, colocou Belém na rota do turismo religioso. Dizem que muitas pessoas que deixaram a cidade para morar em outro canto voltam só para participar da comemoração. ''É como uma festa de Natal'', compara o guia Marco Romero. Os moradores enfeitam suas casas e preparam um almoço em alto estilo para a família.
A berlinda com a imagem da Virgem de Nazaré sai da Igreja da Sé e segue até a Basílica de Nazaré. A peregrinação começa na véspera, quando a imagem está a caminho da Igreja da Sé. Na chegada é celebrada uma missa. Momento em que os romeiros pedem e agradecem as bênçãos de Nossa Senhora. Durante o trajeto são entoados cânticos e orações que emocionam todos aqueles que acreditam e que tiveram sua graça alcançada. Um espetáculo de fé e de religiosidade coletivas.
A corda de proteção da berlinda é o símbolo mais importante da romaria. Ela era usada para puxar o carro com a imagem, mas hoje representa a ligação entre a santa e o povo. Durante a procissão os homens ficam de um lado e as mulheres do outro. Todos descalços e disputando um pedacinho de espaço para tocar a corda como uma forma de pagamento da promessa.
A primeira procissão foi realizada em 1793, na manhã de uma quinta-feira de 8 de setembro. Percorreram-se quatro quilômetros e meio. Era uma festa para nobres, mas se popularizou. Reza a lenda que a imagem cultuada teria sido encontrada pelo caboclo Plácido de Souza, na margem de um igarapé.
Mas a comemoração não se encerra com a procissão, no segundo domingo de outubro. Os festejos vão até o fim do mês. Tem o arraial de Nazaré, no Centro Arquitetônico de Nazaré; o Auto do Círio, na sexta-feira; a chegada dos brinquedos de miriti, além de romarias rodoviária, fluvial e de motocicleta, e a descida da imagem de Nossa Senhora, no sábado; o círio das crianças e a missa do recírio, na segunda-feira, às 6 da manhã.
Para aqueles que não têm a oportunidade de visitar a cidade na época do Círio, resta conhecer os destaques da festa no Museu do Círio de Nazaré. Há uma maquete do Círio, a história de Nossa Senhora de Nazaré, fotos e um resumo do primeiro círio, os estandartes, a berlinda, a corda e os artigos de cera usados para pagar promessa. (C.V.)

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