Circuito universitário aposta no mundo pop
Circuito universitário
aposta no mundo pop
Guto Barra
Planet Pop/AE
O circuito universitário dos Estados Unidos cada vez mais descobre o mundo pop. Nomes como Madonna, Bob Dylan e Tupac Shakur são assunto de disciplinas e workshops em diversas escolas do país, que também recebem exposições como a dos 30 anos da revista Rolling Stone, em um casamento cada vez mais frequente.
Estudos sobre fenômenos do mundo pop começaram a ficar populares há poucos anos no país, com destaque para artistas com grandes feitos no campo de vendas ou como influências comportamentais. Uma série de workshops de estudos sobre a carreira de Madonna é oferecida todos os semestres em diversas universidades, sendo que algumas delas têm disciplinas sobre a influência da pop star como parte de seus currículos de arte e comunicação.
O rapper Tupac Shakur é o novo assunto preferido de universitários pop no Wyoming e na Califórnia. Assassinado em 1996, ele ainda gera polêmica: sua carreira foi assunto recente de um curso especial chamado 2pac Shakur: A Seminar, que abordou a vida, a música, os filmes e a poesia do rapper. Em poucos dias, 66 estudantes se matricularam no curso em Wyoming. Ele também é tema de uma disciplina especial oferecida na Universidade de Berkeley.
Outro que frequenta os currículos norte-americanos cada vez mais é Bob Dylan. A Universidade de Stanford, na Califórnia, acaba de organizar a Bob Dylan 1998 International Conference, um painel de discussões sobre as letras, as visões políticas, o envolvimento religioso e as raízes musicais do artista. Mais de 400 pessoas acompanharam a conferência, que cobriu principalmente o trabalho de Dylan no fim dos anos 70.
Por trás do evento está Tino Markworth, especialista em ciências humanas, que vem promovendo debates sobre o cantor desde os anos 80, quando o interesse ainda estava em crescimento. Ele espera que, com o sucesso da conferência, Dylan se transforme em uma disciplina fixa em Stanford, além de tema de trabalhos e mais conferências.
Mas o que os artistas acham de ser objeto de estudo? Em geral, eles não querem se envolver com esses assuntos, negam comentários e, principalmente, aparições. Enquanto Madonna nunca aceitou encontros ou entrevistas com Camille Paglia - a principal analista da pop star, em seus cursos na Universidade da Filadélfia, na Pensilvânia -, Dylan apenas diz, por meio de sua assessoria de imprensa, que historicamente não fala sobre os estudos de sua carreira.
Em um envolvimento menos convencional com o pop, o curso de jornalismo da Universidade de Columbia, em Nova York, promoveu o primeiro Alfred Eisenstat Awards, para premiar a melhor capa de revista. A campeã foi a da Rolling Stone de janeiro, com a imagem de Marilyn Manson.
A publicação de música está comemorando seus 30 anos com uma exposição de fotos e objetos que vai passar por diversas universidades norte-americanas. A primeira delas foi em um evento cheio de artistas que já foram capa da revista, na New York University. Nos próximos meses a mostra vai passar por escolas em cidades como Chicago, Los Angeles e Austin, no Texas.





