Barra Grande - Várias ilhas e ilhotas pontuam a parte de dentro da Península de Maraú. Ao longo da Baía de Camamu, formam um roteiro imperdível que tem início no porto de Barra Grande. Cercada por manguezais a perder de vista, coqueiros e resquícios de mata atlântica, a região alterna vilarejos e áreas desabitadas.
Depois de uma rápida parada no banco de areia formado no caminho entre península e continente, a Ilha da Pedra Furada se destaca no quesito ''lugares inusitados''. Nela ocorre um fenômeno particular: suas pedras, de origem calcária, apresentam orifícios causados por um molusco endêmico da região.
A ilha está sob os cuidados da organização não-governamental (ONG) Grupo Ambientalista Ilha das Pedras Furadas, que estuda o caso dos moluscos misteriosos. A taxa para desembarque no local é de R$ 2,00 por pessoa. Vale a pena ver de perto as curiosas formações resultantes das perfurações. Há estranhos padrões e um belo arco emoldurando o que seria a entrada da ilha.
Pode-se seguir para a Ilha Grande, que oferece uma enseada adequada ao mergulho. Mais adiante, a Ilha do Goió apresenta extenso manguezal e curta faixa de areia cheia de delicadas conchinhas. Uma das mais interessantes, porém, é a Ilha do Sapinho. Tomada por árvores frutíferas - manga, jambo, carambola -, tem uma pequena vila e restaurantes no estilo ''pé na areia''.
Caseiro e bem servido, o almoço não vai custar mais de R$ 10,00 por pessoa. Quem quiser, poderá escolher ao vivo o guaiamum (o popular ''caranguejo azul'') que vai comer. No percurso de volta a Barra Grande, não deixe de apreciar a bela paisagem composta pelo Rio Carapitangui, suas casinhas e canoas.
Outro clássico local é o passeio de barco até a Cachoeira de Tremembé. Após zarpar, segue-se pelo Rio Baiano durante mais ou menos uma hora até chegar à queda-d'água de 5 metros de altura por 30 metros de largura.
Por terra, o tour tem sequência em veículos com tração nas quatro rodas. É a melhor maneira de desbravar a Península. Os deslocamentos tomam tempo, por conta das condições irregulares do terreno arenoso. Esteja preparado para chacoalhar bastante e não deixe de proteger a cabeça. Em alguns lugares são raras as sombras.
Os mirantes estão entre as principais atrações. A partir do Farol de Taipus, de formato quadrado, avista-se a Baía de Camamu, parte das ilhas e a ponta da Península, além de trechos da Praia de Taipus de Fora e da Lagoa Azul. O Morro do Farol, com 51 metros, é o ponto culminante.
Quando o sol estiver a pino, a parada estratégica é na Lagoa Azul, localizada ao lado de Taipus de Fora. Refresco garantido nas águas plácidas. Se houver crianças por perto, recomenda-se ficar de olho nelas, pois a lagoa tem trechos de maior profundidade.
Para movimentar o corpo, a dica é partir para a trilha das bromélias, um caminho cercado de belos exemplares da planta. A caminhada completa leva cerca de 1h30, num trajeto plano e protegido por árvores altas, muitas das quais abrigam bromélias de tamanho incomum.
Uma boa maneira de fechar o dia é subir ao Morro da Bela Vista - mais conhecido por Morro do Celular, pois dizem que ali seria o único ponto da Península em que o aparelho funciona. ''Um risquinho de sinal tem'', atesta o carioca Guilherme Caraca Paulino, de 40 anos. Ele e a família planejavam a visita já há algum tempo. ''Somos fãs da Bahia'', diz a esposa de Paulino, Luciene Esteves, de 31 anos.
Do alto do Bela Vista tem-se uma visão privilegiada da Lagoa do Cassange, de sete quilômetros de extensão. Também ali funciona o bar de Gidésio Demétrio Xavier, marido de duas mulheres e pai de nada mais nada menos do que 36 filhos. A boa pedida ali são os pasteizinhos feitos na hora. ''O de aratu é sensacional'', indica Paulino.
Para realizar os passeios recorra a uma agência local. A Natur e Mar ( 0--73-255-2343; www.naturemar.com.br) promove roteiros caprichados por toda a região e ainda oferece serviços de traslado. (F.V.)

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