Circo também é cultura
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Luiz Claudio Oliveira 
Sucursal de Curitiba
Reprodução
Márcia Zancherttini (no centro) luta junto com a família pelos direitos dos circenses
As irmãs paranaenses Edlamar Maria e Erimeide Zanquetin, dirigentes e artistas de circo, conseguiram junto ao governo federal algumas mudanças benéficas para o setor circense brasileiro. Em audiência com o ministro da Cultura, Francisco Weffort, receberam a promessa que o circo será incluído no Fundo Nacional de Cultura. Com a inclusão, os artistas e dirigentes de circo poderão receber verbas e auxílio à Cultura, assim como já as recebem os artistas e produtores de teatro, música, literatura e qualquer outra área do gênero.
Mais do que uma promessa, o ministro deu ordem para que esta mudança fosse feita imediatamente. As empresárias acreditam que até março o circo poderá ser beneficiado com verbas federais e com facilidades para obtenção de patrocínio, através da Lei Rouanet.
Isenção de impostosAlém disso, as duas conquistaram do ministro outra promessa, a de que será realizada uma campanha nacional de apoio ao circo nos principais veículos de comunicação do país. Hoje, a legislação atual não está tratando o circo como arte e cultura, mas como qualquer supermercado ou confecção, afirma Edlamar.
Quando vamos nos instalar em uma cidade, temos que pagar impostos como uma casa comercial. Recolhemos hoje 18 taxas entre as federais, estaduais e municipais, explica ela que é diretora do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Artes e Espetáculos do Paraná.
Uma das poucas taxas que não são pagas pelo circo é a de ISS, conforme lei federal assinada ainda na época em que o senador José Sarney era presidente. Mesmo assim, temos que andar com a cópia da lei ao alcance da mão porque do contrário as prefeituras querem nos cobrar, reclama Edlamar.
Em março, circo
passa a ser
beneficiado com
leis federais
A isenção de algumas taxas também foi colocada na pauta das várias audiências que as duas artistas tiveram em Brasília. Além do Ministério, elas percorreram a Secretaria de Comunicação Institucional, a Funarte e a Secretaria de Apoio à Cultura, sempre assessoradas pelo carioca Humberto Braga, diretor de Difusão Cultural do Rio de Janeiro.
Além de ser diretora do Sated/PR, Edlamar é uma das proprietárias do tradicional Circo Zancherttini, no qual também trabalha como trapezista e acrobata. Este circo nasceu no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, e foi formado oficialmente em 1964. Antes disso, a família já fazia apresentações sem estar sob o abrigo protetor de sua própria lona.
Ao todo são dez irmãos que estão na estrada e o circo tem cerca de 40 pessoas trabalhando em um espetáculo de duas horas de pura magia. Pertence ao Zancherttini a única mulher brasileira a realizar o número do Globo da Morte - em que motociclistas giram em alta velocidade dentro de um globo - o nome dela é Márcia Zanquetin.
A família já está na quarta geração de artistas circenses. O espetáculo é premiado em todo o Brasil. Para resumir a lista de premiação, basta citar que eles conquistaram menção honrosa do Prêmio Gralha Azul, do Governo do Paraná, destinado às artes cênicas; além de outras menções no Rio de Janeiro e a medalha de 100 anos do Teatro Guaíra. Ele é convidado a participar das edições do Festival de Inverno organizado anualmente pela Universidade Federal do Paraná, em Antonina, e também dos eventos da Fundação Cultural de Curitiba e da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.


