Circo que se aprende na escola
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
Karla Matida<br> Reportagem local 
Que toquem os tambores, o circo está na cidade. Termina hoje o II Seminário Brasileiro de Circo, que integrou a programação do Filo, e a boa notícia é que arte circense vai ficar por aqui por muito, muito tempo. Hoje à noite acontece o lançamento oficial da Escola de Circo de Londrina, com a presença de Antonio Grassi, presidente da Funarte. A partir do mês que vem, começa o processo de seleção dos 20 alunos que irão, durante os próximos três anos, receber formação profissionalizante de circo.
Com assessoria pedagógica da Escola Nacional de Circo (RJ), a escola londrinense surge como uma iniciativa da Rede da Cidadania, numa parceria da Funarte com a Secretaria de Cultura de Londrina. O lançamento acontece numa festa circense sob a lona montada na Avenida Higienópolis, local cedido pela Sercomtel onde já está montada a escola.
''Serão duas grandes linhas de trabalho. Uma é a profissionalizante, outra é a dos cursos livres que vão depender da demanda, caso de grupos de teatro que queiram oficinas específicas. Até mesmo para quem só quer manter a forma de uma maneira diferente'', explica Sérgio Oliveira, presidente da Associação Londrinense de Circo e um dos coordenadores da nova escola.
''A idéia é reunir as oficinas de circo da Rede da Cidadania aglutinando tudo sob a lona, que vai ser o centro de articulação da política da área de circo da cidade'', explica André Galvão de França, coordenador da Incubadora de Projetos/Promic (Programa Municipal de Incentivoà Cultura). Hoje, segundo Galvão, a Rede da Cidadania atende cerca de 10 mil pessoas nas 100 oficinas oferecidas, incluindo as específicas de circo.
''Em Londrina está acontecendo o contrário do que foi com a Escola Nacional, que primeiro se estabeleceu e depois foi desenvolvendo o lado pedagógico. Aqui, primeiro veio a questão pedagógica'', explica Carlos Cavalcanti, diretor da Escola Nacional de Circo, que está na cidade participando do II Seminário Brasileiro de Circo.
Desde terça-feira, artistas, produtores, professores e representantes de projetos sociais estão discutindo novos rumos da atividade circense no Brasil, principalmente as questões de políticas públicas e legislação para o setor. Ao final do seminário, uma pauta de reivindicações deverá ser formulada e entregue ainda hoje para o novo coordenador da área de circo da Funarte. ''Eu assumo já recebendo essa pauta que sei que deverá ser bem extensa'', diz Hugo Possolo, que toma posse do cargo hoje à noite durante a festa.
''Não quero exagerar na dose de esperança, mas haverá uma mudança'', avisa Possolo, que além de atuar no grupo Parlapatões, que une teatro e circo, também tem história de engajamento ao participar do grupo Arte contra a Barbárie. ''Num primeiro momento o que vou fazer é ouvir. Já estou me informando sobre as leis em trâmite. Vamos fazer um mapeamento da situação no País. Numa segunda ação, vamos trabalhar a questão da própria visibilidade do circo. Não se enxerga que o circo faz parte de todas as artes, ainda é visto como algo menor'', diz Possolo. ''Vamos devolver para o circo o prestígio que ele dá para todas as outras artes'', completa.
Algo que pode ser fundamental para isso é a implementação de escolas como a que Londrina ganha hoje. De acordo com Hugo Possolo, as escolas de circo conseguem mudar o panorama. ''Elas trazem pessoas de outros paradigmas de comportamento, transformando em um grande caldeirão'', diz. Para Carlos Cavalcanti, ''a escola revitalizou a maneira de fazer circo, fazendo surgir mais maneiras do uso circo e aí vem a proliferação dos projetos sociais'', explica.
Tanto a escola londrinense como a escola nacional fazem parte da Rede Circo do Mundo Brasil, com 22 projetos agregados de todo o País. ''É uma rede mundial que reúne esforços de metodologia do circo'', explica Cavalcanti.


