Circo perde um de seus maiores nomes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de agosto de 2015
Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Rio - Dono de um dos circos mais populares do País, Orlando Orfei morreu na noite de sábado, aos 95 anos, em um hospital de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), onde estava internado desde o dia 18 de julho, por causa de uma pneumonia.
Nascido na Itália, aos cinco anos já atuava nos picadeiros, como palhaço mirim. Foi equilibrista, malabarista e mágico antes de assumir o papel definitivo de domador. Ainda jovem, abriu o próprio circo e começou a carreira de sucesso mundial. Conheceu o Brasil no fim dos anos 1960 e decidiu se estabelecer no País.
Orlando Orfei foi responsável por várias inovações no mundo circense. Substituiu a propaganda em folhetos por grandes outdoors, trocou as pesadas e perigosas lonas de algodão por plástico e criou um sistema para aquecer os circos durante o inverno europeu.
Como domador, Orfei procurou dar humor ao ofício marcado pela crueldade. Sentava nos leões, simulava fazer a barba com o rabo de um, deitava ao lado de outro, conversava com os animais.
Nos anos 1970, o Circo Orlando Orfei já era um dos maiores do País, ao lado dos circos Garcia, Tihany, Bartolo e Di Napoli. O italiano instalou a sede em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde passou a morar.
Muito popular também na Europa, foi recebido por quatro papas e tinha várias condecorações, do governo italiano e de Estados e municípios brasileiros - em 2012, por exemplo, foi condecorado pela presidente Dilma Rousseff com a medalha da Ordem do Mérito Cultural.
Orfei sofria de Alzheimer, mas mantinha uma boa qualidade de vida. O empresário era casado e tinha seis filhos. O corpo será sepultado hoje no cemitério de Mesquita (Baixada Fluminense).


