Curitiba – Uma versão mais contemporânea, mas sem deixar escapar o lirismo característico à obra. É assim que o roteirista Naum Alves de Souza define a nova montagem do espetáculo ‘‘O Grande Circo Místico’’, carro-chefe das montagens do Balé Teatro Guaíra. Depois de quase 20 anos, um projeto do Centro Cultural Teatro Guaíra e da Secretaria de Estado da Cultura dá vida nova ao texto baseado no poema de Jorge de Lima, que tem trilha sonora de Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda.
Os grandes nomes que conferiram o sucesso da primeira versão continuam presentes. Alguns deles estiveram em Curitiba anteontem, para o lançamento oficial do projeto. Chico Buarque não compareceu, conforme estava previsto nos primeiros esboços da proposta, mas Edu Lobo, Naum Alves de Souza, que também idealizou a primeira versão, e o coreógrafo argentino Luiz Arrieta, que assina a coreografia da nova montagem, estiveram no evento.
Edu Lobo fez suspense quanto às surpresas e novidades da nova montagem. Mas revelou que existem oito novas músicas instrumentais na versão. Das 13 faixas do disco, nenhuma letra foi suprimida, mas regravações com novos intérpretes e adaptações que acompanham a coreografia de Arrieta – que, arredio, não deu entrevistas anteontem – foram necessárias.
Uma das mudanças na trilha, por exemplo, é a interpretação de ‘‘A Bela e a Fera’’. Antes na estrondosa e bela voz de Tim Maia, nessa montagem, ganha uma versão mais narrativa, com o ator Marco Nanini. ‘‘Ficou cenicamente mais forte, mais violento e anti-musical até, mas dentro da nova proposta’’, define Edu Lobo.
Outra alteração radical na trilha é a música ‘‘A História de Lily Braun’’, que ganhou força na interpretação da cantora e atriz Vanessa Gerbelli. Antes a música era cantada por Gal Costa. ‘‘Mas era uma versão realizada para o disco, agora a idéia é passar a contrução de um personagem’’, ressalta o músico revelando que, nessa parte do espetáculo, a bailarina dubla o trecho da música.
A interpretação corporal dos bailarinos, aliás, foi uma questão bem trabalhada na nova versão de ‘‘O Grande Circo Místico’’. A coreógrafa Eunice Oliveira, que assessora Arrieta, conta que a montagem priorizou o movimento criativo. ‘‘Os bailarinos do Guaíra têm uma formação clássica, essa coreografia traz a técnica da contração, que é a base moderna da dança’’, explica, esclarecendo que essa transição não significou nenhuma dificuldade para o grupo.
Os bailarinos estão ensaiando desde o início do ano, cerca de seis horas por dia. Não são acompanhados integralmente por Arrieta, nem por Edu Lobo. Eles monitoram o trabalho à distância. Por isso, algumas coreografias ganharam – inevitavelmente – influências de artistas que desenvolvem trabalhos no Estado já há algum tempo. É o caso do ator Mauro Zanatta, convidado para dar as noções da técnica clown aos artistas. ‘‘Estamos dando ênfase ao trabalho de ator, à estética do movimento e à emoção’’, salienta.
‘‘O Grande Circo Místico’’ estréia no próximo dia 13, no Teatro Guaíra. Depois disso, conforme prevê o projeto inicial, já tem apresentações agendadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Brasília e Belo Horizonte. A montagem do espetáculo, bem como a turnê, consumiram orçamento de cerca de R$ 1 milhão.

mockup