Circo Imperial da China se apresenta em SP
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Ricardo de Souza 
São Paulo, 30 (AE) - As primeiras coisas que vêm a cabeça quando se fala em circo são palhaços, mágicos e trapezistas, certo? Na maioria das vezes, sim. Mas não no caso do Circo Imperial da China, que se apresenta em São Paulo de amanhã (31) a domingo, no Credicard Hall. Considerado um dos espetáculo mais belos do planeta, o circo chinês já passou por 75 países mostrando números que aliam a tradição milenar do país às mais modernas e complexas técnicas de acrobacia.
A trupe é formada por 42 artista, que apresentam 13 números, cada um trazendo elementos da tradicional cultura chinesa. São performances que vão da beleza plástica, como pode ser visto em "Moolight Dancers" - um balé de dançarinos iluminados -, ao desafio aos limites do corpo, como o número "The Monks, no qual vários acrobatas fazem malabarismo pendurados em estacas.
Segundo o diretor artístico do Circo Imperial, Han Ming, os artistas são os melhores em cada habilidade no país. "Temos campeonatos regionais e municipais, nos quais escolhemos os integrantes do circo", explica Ming. "A partir das habilidades individuais criamos cada número."
A concepção do espetáculo é resultado de muita pesquisa, principalmente no exterior. O circo chinês pegou carona na abertura do país e aproveitou as influências culturais e econômicas do Ocidente. Ming diz que já buscou inspiração nos tradicionais shows de Las Vegas - onde se apresentaram recentemente - e em espetáculos europeus, como o Cirque du Soleil, um dos mais conhecidos circos europeus.
A união da tradição circense a inovações tecnológicas foi outra mudança sofrida pela trupe nos últimos anos. No entanto, o diretor artístico enfatiza que a tecnologia serve apenas para ressaltar a essência e o brilho do espetáculo, que é a técnica. "O grupo usa o corpo para mostrar a cultura chinesa; a linguagem corporal e a técnica vêm antes de tudo", argumenta Ming.
O apego à tradição e à disciplina, característica típica dos povos orientais, fica evidente na dedicação dos artistas ao que fazem, seja durante os treinamentos, nas apresentações e até mesmo em horas de folga. É comum ver os artistas fazendo alongamento ou se exercitando em corredores ou saguões de hotéis. Para Ming, eles têm em mente que a arte acrobática tem duas bases: a disciplina física e espiritual. "Essa ideologia, a força e a meditação são passadas para o público por meio da arte", acredita o diretor artístico.
O Circo Imperial da China é um dos orgulhos do povo chinês, principalmente por ser um veículo de propagação da cultura e da verdadeira imagem do país. A trupe é reconhecida desde a dinastia Han (221 a.C.- 220 d.C.). "Sabemos que não somos apenas artistas, mas representantes da cultura de nosso país", afirma Ming. Serviço - Circo Imperial da China. Amanhã (31), às 21h30; sábado
às 16 horas e 21h30; domingo, às 15 e 20 horas. De R$ 15,00 a R$ 70,00. Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500


