As cinzas de José Saramago repousam a partir de hoje (18) em Lisboa, sob a sombra de uma centenária oliveira em sua cidade-natal, a aldeia lusa de Azinhaga, em um reencontro com suas raízes que tanto idealizou em seu livro "As Pequenas Memórias", que ocorre no marco do primeiro aniversário de sua morte.

Em um ato carregado de simbolismo, a viúva do escritor, Pilar del Rio, enterrou seus restos mortais em um pequeno jardim em frente à Casa dos Bicos, edifício histórico da capital portuguesa, que abrigará a sede da fundação que leva o nome do escritor.

Diante de dezenas de cidadãos e autoridades, suas cinzas foram sepultadas sob terra recolhida da ilha de Lanzarote (Canárias, Espanha), onde viveu seus últimos anos e foi cenário de seu livro "Palavras de uma cidade", uma carta de amor à Lisboa, onde se formou e moldou seu pensamento.

"Não é um ano sem Saramago. É um sem José. Saramago está mais presente do que nunca", disse a viúva do único autor de língua portuguesa a receber o prêmio Nobel de Literatura.

As homenagens ocorrem neste sábado em todo Portugal, como em países como México, Itália ou Espanha, e lembram Saramago 12 meses após sua morte, que foi vítima, aos 87 anos, de leucemia crônica.

Saramago foi considerado em vida como a maior figura da língua portuguesa contemporânea e conhecido também por seu ativismo político – foi filiado ao Partido Comunista – e envolvimento social.

Para amanhã é planejada outra homenagem na capital portuguesa, no espetáculo "As Sete Últimas Palavras de Cristo", que mistura a música de Joseph Haydn aos textos do escritor, lido por moradores de rua que compartilham histórias de dificuldades e sofrimentos.

Com informações da agência Efe.

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