Cinquentenário tímido
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terça-feira, 22 de abril de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos o prédio que abriga o Teatro Guaíra, em Curitiba, está com o futuro garantido. A Secretaria de Estado da Cultura anunciou ontem que o prédio será tombado pelo Patrimônio Cultural do Estado. A medida faz parte das comemorações dos 50 anos do Teatro Guaíra, que acontece em maio com uma programação tímida, já que não tinha sido agendada pelo governo anterior e não estava incluída no orçamento anual do teatro. Além do tombamento do prédio, que impede que o espaço seja descaracterizado ou destruído futuramente, o Centro Cultural Teatro Guaíra comemora a data trazendo cinco apresentações internacionais e duas da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP).
As homenagens à instituição acontecem numa época de muitas indefinições e instabilidade. Ainda não se sabe, por exemplo, o futuro dos corpos estáveis do Guaíra, como a própria orquestra e o Balé Teatro Guaíra. Ambos reúnem funcionários públicos e contratados, que enfrentam situações adversas como atrasos de salário e problemas contratuais. Para a secretária de Estado da Cultura, Vera Mussi, este não pode ser considerado um problema isolado no Paraná, mas comum ''de todas as orquestras brasileiras''.
A solução no Estado, garante a secretária, virá em breve. ''Temos uma comissão estudando o problema e buscando uma solução definitiva'', diz. O mais provável, segundo ela, será a regularização dos contratos dos bailarinos e músicos por meio da criação de cargos comissionados. No primeiro momento, conforme adiantou a secretária, não está sendo prevista audições para novos contratos, já que os funcionários atuais devem permanecer em seus cargos, sendo apenas regularizados.
Contratos irregulares e atraso no pagamento dos funcionários não foram os únicos problemas que a diretora-presidente do Teatro Guaíra, Nitis Jacon, encontrou quando assumiu o cargo, em 1º de janeiro deste ano. Ela explica que teve que fazer várias ajustes para resolver os vícios de uma administração que já durava oito anos, a de Jaime Lerner (PFL). ''Estamos regularizando todos os procedimentos contratuais e nos adequando a um orçamento pequeno, que não contemplava, por exemplo, as comemorações do cinquentenáro do Guaíra'', observou.
Para fazer render o orçamento de R$ 9,8 milhões para este ano, herdado do governo anterior, a diretora do Guaíra está se valendo principalmente da experiência. À frente do maior festival de teatro do Estado, o Festival Internacional de Londrina (Filo), Nitis aproveita a agenda do evento, que terá patrocínio de R$ 500 mil bancado pelo governo Requião, para trazer para Curitiba os espetáculos internacionais que vão marcar os 50 anos do Teatro Guaíra, com apresentações também no festival de Londrina. ''É claro que existe uma redução de custos quando se aproveita a agenda de um espetáculo internacional em outros locais'', explica. Os mesmos espetáculos, diz, também se apresentam em Brasília e em outras cidades do País.
A agenda curitibana, ainda sem data definida, inclui o grupo Les Ballets C. da la B., da Bélgica, com o espetáculo ''Just another landscape for some jukebox''; da Argentina, os grupos Andar e La Arena, com as montagens ''Tango nômade'' e ''Ronda'', respectivamente. O Teatro del silêncio, da França, Chile e Espanha apresenta o espetáculo ''Amloh, como lo dijo Hamlet'' e os grupos americano Jane Confort And Company vai mostrar as peças ''Underground river'' e ''Persephone''. As datas de apresentação no teatro devem ser confirmadas ainda essa semana.
Também não se sabe se é com essas apresentações que o Teatro Guaíra vai começar a utilizar o sistema de bilheteria informatizado, anunciado pela secretária da Cultura e pela diretora do Guaíra ontem. Pela primeira vez, o Guaíra se propõe a fazer uso de um sistema de venda de ingressos moderno, mais seguro e que estará disponível também pela internet, a exemplo do utilizado hoje no Festival de Teatro de Curitiba.
Outra novidade anunciada para entrar em vigor no ano do cinquentenário do teatro é uma iniciativa já anunciada pelo governo anterior e que quer aproveitar o sistema de fibras óticas presentes no Estado para transmitir os espetáculos do Guaíra para o interior. O projeto, inicialmente chamado de ''Projetos de Fibras Óticas'' está sendo desenvolvido pela equipe da TV Educativa (RTVE). A diretora da RTVE, Berenice Mendes, adianta que no segundo semestre a transmissão estadual deve estar em operação, utilizando, inclusive as atualmente ociosas salas do Velho Cinema Novo para as projeções dos espetáculos que acontecem no teatro.
A iniciativa, inédita no Brasil vai envolver, além da Companhia Paranaense de Energia (Copel), o Ministério da Cultura, que já doou equipamentos para que a transmissão seja possível.
A contar pelas datas estimadas para que todas as iniciativas reservadas para o Teatro Guaíra, no ano em que se comemora os 50 anos da sua sede, sejam colocadas em prática, o prédio terá que esperar um pouco para assoprar as velinhas e receber os seus presentes. Exceto as apresentações dos grupos internacionais, que devem ter a sua agenda confirmada essa semana e as apresentações da OSP, que acontecem nos próximos dias 25 e 27, as outras programações acontecem somente ao longo do ano. O tombamento do prédio anunciado ontem também deve ser oficializado apenas em setembro.


