'Cinquenta Tons Mais Escuros' aborda relação mais amorosa
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de outubro de 2012
Fernanda Brambilla <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - Christian Grey definiria ''Cinquenta Tons Mais Escuros'' como ''sexo baunilha''. A sequência do maior fenômeno de vendas da literatura adulta moderna é retomada às avessas. Em vez de baixar o tom, rumo ao lascivo, como sugere o título, acaba por aguar os tons de cinza e leva o casal de protagonistas a uma relação menos picante, muito mais amorosinha.
Em ''Cinquenta Tons de Cinza'', a autora E. L. James apresenta um romance erótico que acompanha a iniciação sexual da universitária Anastasia Steele com um homem que tem todos os atributos do homem ''perfeito'' e cumpre todos os clichês e estereótipos do macho padrão - é lindo, CEO da própria empresa e, portanto, muito rico com menos de 30 anos. Acostumado a ter o que quer, só se relaciona com mulheres que sejam submissas a ele. Ana Steele entra em parafuso ao ser cortejada por esse homem, que apresenta a ela esse universo em que prazer e dor se misturam e se confundem; atordoada, ela sofre por saber que jamais terá, com ele, uma convencional relação apaixonada.
Lamentavelmente, na continuação ''Cinquenta Tons mais Escuros'', lançado na última semana no País, é exatamente esse o caminho trilhado por E. L. James. O que se vê é uma transformação do personagem-chave de lobo a cordeirinho. Quando se dá conta de que pode perder Ana por seus gostos excêntricos, Christian Grey passa por uma mudança radical e fatalmente vai se distanciando da figura que hipnotizou o contingente feminino de leitoras até aqui. Ele abdica de seus joguinhos sexuais, assume a moça como namorada, a convida para morar com ele e desenvolve ainda um lado ciumento e possessivo: quando Ana consegue um emprego em uma editora de livros, Grey compra a empresa para poder ter controle sobre ela e os demais funcionários.
Por outro lado, ''Cinquenta Tons Mais Escuros'' explora lados menos apimentados da trama. Enquanto Ana e Grey brincam de casinha, o clima de conto de fadas é quebrado pela ameaça de uma ex-submissa vingativa (felizmente, porque a cadência da vidinha a dois se torna aborrecida).
No mais, a continuação perde a chance de ousar de verdade. Em tempos de literatura de mercado, porém, isso pode estar reservado ao ''Cinquenta Tons de Liberdade'', fim da trilogia. Haja paciência para tantas preliminares.


