São Paulo - Aos 21 anos, a tímida Anastasia Steele finalmente tem um namorado. Ele é apenas alguns anos mais velho que ela, é milionário e CEO da própria empresa, além de lindo de morrer. Ele fez questão de apresentar-se aos pais dela, trocou o velho Fusca que ela tinha por um Audi esportivo novinho, a levou à casa de seus pais, encheu-lhe de mimos que incluem passeios em seu helicóptero, um laptop novo, um BlackBerry (para poder encontrá-la sempre), um armário cheio de roupas de grife.
Christian Grey seria o homem perfeito, se não fosse pelo fato de gostar de dar-lhe, na cama, umas boas palmadas. A relação conturbada da jovem introspectiva (e virgem) com um homem que só pratica sexo com amarras, algemas, cintos, chicotes e até um contrato de confidencialidade que define os amantes como Dominador e Submissa é a trama de ''Cinquenta Tons de Cinza'', que acaba de chegar às livrarias do País após virar um fenômeno consagrado e mais de 20 milhões de cópias vendidas pelo mundo.
A promessa de um romance adulto, sem as metáforas da literatura juvenil ou o escapismo da fantasia (e dos vampiros platônicos), cativou o Reino Unido, onde o livro foi lançado, em março. Na semana de estreia, foram 100 mil os exemplares vendidos. Em 11 semanas, o título de bolso atingiu seu primeiro milhão, superando um recorde que era de ''O Código Da Vinci'', de Dan Brown.
O best-seller, que é o primeiro de uma trilogia - ''Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade'' chegam ainda este ano - já tem adaptação para o cinema engatilhada, a cargo dos produtores Dana Brunetti e Michael De Luca (de ''A Rede Social'', 2010). Atores como Ryan Gosling e Emma Watson, de ''Harry Potter'', são cotados para os papéis principais.
Sem estragar outro prazer, o do leitor, vale o aviso de que, se o livro, adulto, não foge da tarefa de ser explícito em suas cenas de sexo, ele não se liberta das amarras (com o perdão do trocadilho) do romance convencional, com cortejos, digressões típicas de adolescente e um afiado juízo de valor, que só águam o molho picante de libertinagem que promete o livro. O desabrochar sexual dessa heroína, então, é perpassado pela culpa e pela certeza de que as vontades do namorado são uma perversão e, portanto, abomináveis.
A criadora de Ana Steele e de seus freios responde por E.L. James, iniciais de Erika Mitchell, uma londrina de 49 anos, ex-executiva de TV, casada e mãe de dois filhos adolescentes, que fez o marido cuidar da casa para que pudesse satisfazer o desejo de escrever um livro.
Serviço:
''Cinquenta Tons de Cinza''
Ed. Intrínseca
Preço: R$ 39,90

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