Em ''Deu a Louca nos Astros'', David Mamet ironiza o meio cinematográfico ao mostrar como o acaso conduz o que é previamente planejado
Rodrigo Souza Grota
De Londrina
Há uma recente onda em Hollywood que leva os cineastas a utilizarem a metalingaugem. Quer dizer, falar do cinema por meio de filmes. Exemplos como ''Cecil B. Demented'', de John Waters; ''A Sombra do Vampiro'', de E. Elias Mehrige; e ''Queridinhos da América'', de Joe Roth somam-se ao penúltimo trabalho do dramaturgo, roteirista e cineasta David Mamet. O filme ''Deu a Louca nos Astros'' (State and Main, EUA, 2000), que chega ao mercado brasileiro simultaneamente em vídeo e DVD, mostra os bastidores de uma produção de hollywood em uma pequeníssima cidade americana.
Mamet tem trabalhos primorosos no cinema, como o ousado e ''díficil'' ''Olleana'', mas às vezes não atinge a naturalidade tão própria à sétima arte, prendendo-se em formalismos narrativos que não dão vida à história. Esse excesso de sobriedade nos diálogos e ação dos personagens se evidencia com mais vigor em ''Cadete Wislow'', antepenúltimo filme do cineasta. Em ''Deu a Louca nos Astros'' o diretor se solta mais, aproximando-se de um humor vaudeville típico da boa comédia que o cinema americano há muito nos legou.
A sutileza da crítica de Mamet se fundamenta no retrato que ele elabora dos vários estereótipos de uma produção cinematográfica - o diretor que quer seu filme a qualquer preço; a estrela que tem uma crise de consciência e não aceita mais a cena de nudez; o roteirista, genial mas enfadonho, que se apaixona por uma moça linda e cativante, tão inteligente quanto ele; o produtor que usa o poderio financeiro do estúdio para corromper quem ousar enfrentá-lo; e outros lugares-comuns.
Apesar do obsessivo clichê, há qualidades no modo como Mamet conduziu ''State and Main''. O ótimo elenco, encabeçado por Philip Seymour Hoffman, Sarah Jessica Parker, William H. Macy e Alam Baldwin oferece personagens interessantes, sempre presos em suas manias tão bem ridicularizadas. O DVD traz entrevistas com esses atores e com o diretor, em que ele explica que o objetivo era retratar a ambiguidade vivida por uma equipe de produção ao fazer um filme - ter de se comportar profissionalmente desrespeitando todas as normas de civilidade.
Lançamento: Alpha. Duração: 107 minutos.
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Divulgação
Documentário traz apresentações de legendários músicos como Louis Armstrong e Dizzy Gillespie
Monterey Jazz Festival
Mais um grande atrativo para os amantes do jazz. A Warner lança em DVD um documentário sobre a trajetória do mais antigo festival desse gênero nos EUA, o Monterey Jazz Festival. Dirigido por William Harper e roteirizado por William Minor, ''Monterey Jazz festival: 40 anos de História'' foi produzido há três anos, quando a pequena cidade da Califórnia comemorava quatro décadas de muitas jam sessions.
O registro de Harper traz apresentações de mitos do jazz, apresentando solos de Louis Armstrong, Charles Mingus, Miles Davis, Dizzy Gillespie e Duke Ellington. Entre outras reminiscências, o fundador do Festival, Jimmy Lyons, lembra que modestos US$ 100 mil impulsionaram a primeira edição do encontro jazzístico.
Apresentado por Patrice Rushen e um dos grandes expoentes do jazz contemporâneo, Joshua Redman, o filme oferece entrevistas saborosas, como a do cineasta e ator Clint Eastwood, em que o diretor de ''Bird'' confessa o que lhe atrai no ritmo que mudou a história da música americana. Eastwood, aliás, é produtor-executivo do filme, mantendo uma postura dos últimos anos em que também produziu um documentário sobre o pianista Thelonius Monk. O menu traz os tradicionais atrativos de um DVD, como o índice para a escolha de cenas e legendas em inglês, português e espanhol. O melhor mesmo é a bela música ininterrupta, até mesmo nas entrevistas.
Lançamento: Warner. Duração: 80 minutos.
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Reprodução
O diretor Cao Hamburguer imprime tom de fábula que atrai a atenção de público de todas as idades
Castelo Rá-Tim-Bum
Um dos melhores filmes do atual cinema brasileiro chega agora em formato digital. Dirigido por Cao Hamburguer, ''Castelo Rá-Tim-Bum'' (1999) conseguiu atingir o que no País é cada vez mais raro - um produto artístico que consiga também entreter o grande público. Após anos de sucesso da série na TV Cultura, o cineasta resolveu imprimir em película o mundo maravilhoso que habita o castelo em que vive o jovem Nino. Sérgio Mamberti, Rosi Campos e Marieta Severo interpretam os parentes amalucados de Nino, e que acabam causando toda a confusão no castelo. Com trilha sonora esplendorosa de André Abujamra, e visual requintadíssimo, Hamburger constrói um universo à parte, realizando uma fantasia urbana poucas vezes vistas no cinema. Há um tom de fábula muito bem construído, o que atrai o interesse não só do público infantil, já que a inverossimilhança não é propriedade exclusiva dessa faixa etária.
Lançamento: Columbia. Duração: 107 minutos.

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