CineSul homenageia Fernando Solanas; abertura será na 6ª
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Luiz Zanin Orichhio 
São Paulo, 16 (AE) - O cineasta argentino Fernando Solanas (de La Hora de los Hornos, Tangos, o Exílio de Gardel e El Viaje) será o grande homenageado do CineSul - 6.ª Mostra Latino-americana do Rio de Janeiro, que se realiza de sexta-feira ao dia 27. O objetivo do evento, produzido pela jornalista e escritora ¶ngela José, é divulgar a cinematografia latino-americana no Brasil. Como se sabe, apesar de condômino majoritário do Mercosul, o País costuma voltar as costas à produção cultural do continente, como se dele não fizesse parte. No sentido de divulgar o que o deus-mercado rejeita, o Cinesul apresentará, entre outros, filmes como o argentino "La Sonámbula", de Fernando Spiner, o chileno "Historias del Fútbol", de Andrés Wood, e "Rosa de Francia", do venezuelano César Bolívar.
O festival, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (onde serão realizadas todas as projeções), começa com "La Voz del Corazón", do venezuelano Carlos Oteyza. Também estará participando do 6.º Cinesul o cineasta cubano Julio García Espinosa que representará seu país na homenagem aos 40 anos do Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica (Icaic). Serão exibidos clássicos como "Memórias do Subdesenvolvimento"
de Tomás Gutiérrez Alea, e um ciclo de documentários de Santiago álvares, mestre inovador do gênero, morto em 1997.
Será importante esse reencontro com a escola cubana que, em sua fase áurea, produziu um cinema inquieto, engajado socialmente sem ser didático, poético sem desligar-se do real. Tudo isso tende a ser esquecido pela baixa da produção cubana, causada pela arrastada crise econômica da ilha, que vem desde o fim da União Soviética. Mas a grande atração do festival são mesmo os filmes que de outra forma não seriam vistos. É o caso de "La Sonámbula", de Fernando Spiner, que tem roteiro assinado pelo escritor Ricardo Piglia (ele também escreveu o script de Coração Iluminado, de Hector Babenco). Conta uma história fantástica, a de uma arma psíquica que causa amnésia nas pessoas. A arma é usada pelas autoridades para melhor controlar a população, uma evidente metáfora dos controles sociais atualmente postos em prática. Outro possível destaque é "Plaza de Almas", do argentino Fernando Diaz, que tem como protagonista um artista de rua de Buenos Aires. Ele tem sua vida alterada quando a noiva aparece grávida. "Fuga de Cérebros", também da Argentina, dirigido por Fernando Musa, fala de como a nova terra da promissão age sobre o imaginário latino-americano. Na história, um grupo de jovens decide financiar a ida para Nova York por meio de crimes.
Do Chile vem "Historias del Fútbol", de Andrés Wood, que já concorreu no Festival de Gramado. São episódios ligados entre si, tendo por tema comum a paixão dos chilenos pelo futebol. Uma espécie de Boleiros à chilena. Num deles, um jogador aceita suborno para perder uma partida. Noutro, um jogo de crianças termina com uma delas perdendo todo o dinheiro da mãe. No terceiro, considerado o melhor pela crítica, um rapaz perde o barco e fica preso em uma ilha, impossibilitado de ver o jogo final do seu time de coração.
"La Voz del Corazón", do venezuelano Carlos Oteyza, fala de um jornalista que se embrenha na Floresta Amazônica para fazer uma reportagem sobre a exploração da madeira e dos minérios. Num mundo de cobiça e violência, ele encontra uma mulher que mantém a rádio do vilarejo, chamada de A Voz do Coração, que dá título ao filme. "Rosa de Francia", também da Venezuela, relata um drama de época. Nos anos 20, uma adolescente é raptada por traficantes de índios e vai parar num bordel. O longa é assinado por César Bolívar.
"Enredando Sombras" é um filme destinado à comemoração dos cem anos do cinema latino-americano. Vários diretores foram convocados para representar os cinemas de seus países. O projeto
com coordenação geral de Julio Garcia Espinosa, terá sua primeira exibição pública no País. Atente para o episódio brasileiro, de alto nível, no qual o diretor Orlando Senna elege o Cinema Novo como representante do que de melhor se fez neste País com a arte inventada pelos Lumire.


