Agência Folha
Na Hollywood do filme noir, ninguém era inocente. A inocência parece que havia sido banida do gênero policial após o final da guerra. A essa desconfiança, Nicholas Ray acrescenta ainda a solidão do roteirista acusado de assassinato, em ‘‘No Silêncio da Noite’’ (Cinemax, hoje, 2h30).
Aqui, Humphrey Bogart, no papel do roteirista, está longe de ser o detetive determinado de outros filmes. É a caça, não o caçador. Mas é ao dar-lhe esse tipo de papel que Ray estabelece as diferenças de seu cinema. À culpabilidade inerente a todo suspeito de filme noir, acrescenta essa densidade peculiar, torturada, de Bogart, que pode se exprimir também na atitude sarcástica do roteirista.

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