Cinemateca mostra Greenaway
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Simone Mattos 
O cineasta inglês Peter Greenaway, nascido em Londres no início da década de 40, não atende a todos os gostos, mas nunca teve a pretensão de agradar a públicos diferentes. Ele não é apenas um intelectual confesso, mas alguém fascinado por jogos, teorias de números, princípios estruturalistas e uma estética irrestrita. Alguns de seus melhores filmes estão sendo exibidos, até quinta-feira, na Cinemateca de Curitiba.
Nesta terça, O Bebê Santo de Macon, de 1993, estará na tela, com sessões às 18h e às 20h30. O filme se passa na metade do século 17. No elenco estão Júlia Ormond, Ralph Fiennes, Philip Stone, Jonathan Lacey, Don Henderson e Celia Gregory.
O filme retrata uma peça de igreja, encenada para o benifício de um jovem aristocrata (Lacey), na qual uma senhora grotesca dá à luz um bonito bebê. A irmã mais velha da criança (Ormond) tira proveito da situação, vendendo bençãos e se dizendo a mãe virgem do bebê. Quando ela tenta seduzir o filho do bispo (Fiennes), a igreja requer uma terrível vingança.
O Bebê Santo de Macon é uma profanação elaborada da iconografia católica, da superstição e da religião, onde Greenaway quebra as barreiras entre a peça e o mundo real. Todos os personagens são uma fraude e até mesmo o bebê se revela maligno.
Na quarta-feira, será a vez de A TV Dante: Cantos I-VII, dirigido por Greenaway e Tom Philips, em 1989. As mais modernas técnicas de vídeo são exploradas para sobrepor imagens, criando um retrato que corresponde ao texto, baseado no primeiro dos três livros da Divina Comédia, Rastros do Inferno.
Cada um dos oito cantos dura cerca de 11 minutos, o tempo que eles levam para serem lidos, e são alternadamente horrendos, lindos, arrepiantes e fascinantes. No elenco estão Bob Peck, John Gielgud, Joanne Whalley-Kilmer, David Rudkin e David Attenborough.
Para encerrar o festival, na quinta-feira será apresentado Um Z e Dois Zeros, de 1985. Um acidente de carro, causado por um cisne perto do zoológico da cidade holandesa de Rotterdam, deixa dois irmãos ex-siameses viúvos (Brian e Eric Deacon). Eles se unem ao motorista (Andrea Ferreol), que teve uma perna amputada, para investigar mortes no zoológico.
Como sempre, as idéias apresentadas por Greenaway são grandiosas, infinitas e perversas. O filme apresenta emoções frias e intelectuais, onde o cineasta enquadra, colore e filma com uma perfeição sublime.
Peter Greenaway assinou ainda a direção de filmes como Afogando em Números, O Contrato do Amor, O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, O Sonho do Arquiteto, A Última Tempestade, A Walk Through H e outros.
O cineasta estudou no Walthamstow College of Art, em Londres, e trabalhou no Instituto Britânico de Cinema, onde teve a oportunidade de assitir a muitos filmes experimentais clássicos.


