Rio de Janeiro - Nem só de lives há de viver a cultura. Fora do Brasil, vemos o retorno gradual do público a shows, concertos, peças de teatro e a retomada de gravações para televisão e cinema. Por aqui, o setor começa a desenvolver protocolos para uma volta segura das atividades tendo como base experiências internacionais, instruções da Organização Mundial da Saúde e decretos e portarias de estados e prefeituras.

Mas sair de casa a lazer não será como antes. Os encontros e discussões antes e depois de espetáculos devem diminuir para dar lugar a uma tentativa segura de contato presencial com a arte.

Poucas poltronas ocupadas em teatros e cinemas, mais apresentações ao ar livre, o fim dos ingressos em papel e dos guarda-volumes, chegada a poucos minutos da sessão, óperas e concertos mais curtos e sem intervalos e percurso único para ver obras em exposições são algumas das mudanças que encontraremos. A redução da capacidade dos espaços e a multiplicação de regras e equipamentos aumenta os custos em toda a cadeia do setor.

Cerca de mil pessoas e cem instituições se reúnem no Fórum Brasileiro de Ópera, Balé e Música de Concerto para pensar, entre outras exigências da pandemia, um protocolo de retomada para o setor. São cantores, compositores, bailarinos, regentes, instrumentistas, coreógrafos e produtores, além de teatros, orquestras, conservatórios, organizações sociais que gerem espaços culturais e associações.

Redes de cinema ainda não apresentaram soluções, mas está sendo elaborado um protocolo de segurança
Redes de cinema ainda não apresentaram soluções, mas está sendo elaborado um protocolo de segurança

Eles criaram dois documentos com sugestões para as práticas, em aulas, ensaios e apresentações, e para apresentações com público. São protocolos detalhados para ajudar os espaços a construírem os seus próprios e que levam em consideração, por exemplo, as especificidades de cada instrumento.

Nos de sopro, os músicos não podem usar máscaras, as saídas de ar também expelem gotículas e há líquido acumulado no interior deles, por isso é preciso distanciamento maior e é desejável uso de tela de acrílico. As partituras não poderão mais ser compartilhadas entre dois ou mais músicos, como era praxe nas orquestras.

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que tem na equipe bailarinos, instrumentistas e cantores, está finalizando um protocolo com quase 70 páginas. No último dia 12, a Bachiana Filarmônica Sesi-SP, com João Carlos Martins ao piano, realizou uma live com formação reduzida, de nove instrumentistas, e dois cantores. O espetáculo teve produção acompanhada por José Miranda, médico responsável pelo Espaço Saúde da Fiesp, Ciesp, Sesi e Senai.

O Sesc, que gere de bibliotecas a salas de cinema e amplos espaços ao ar livre para shows, está elaborando um protocolo para suas unidades pelo país.

A Funarte, que tem espaços culturais espalhados pelo país e fomenta espetáculos de diversas linguagens, formará um grupo a partir desta semana, com gestores e servidores, para a criação de um protocolo.

Para o público, uma saída para assistir a filmes em telas grandes tem sido os drive-ins, que ressurgem por todo o país. A volta às salas, contudo, deve demorar. A Federação Nacional das Empresas Exibidoras de Cinema está elaborando um protocolo. Procuradas, porém, tanto a federação quanto cadeias como Cinemark e Cinépolis disseram preferir não apresentar os termos em discussão.

mockup