Não é um filme brasileiro, mas a direção de Fernando Meirelles em ''The Constant Gardener'', co-produção inglesa com o Quênia e a Alemanha, garante em parte o orgulho nacional na 62 edição do Festival de Veneza, que acontece de 31 de agosto a 10 de setembro. Para quem não está ligando o nome à proeza, Meirelles é responsável por um dos maiores sucessos brasileiros de público e crítica em tempos recentes, o polêmico mega hit ''Cidade de Deus''.
E não é só. A co-diretora de ''Cidade...'', Kátia Lund, ajuda a dar o tom verde-amarelo à mostra veneziana. Ela está entre os oito realizadores do projeto coletivo ''All the Invisible Children'', ao lado de John Woo, Emir Kusturica, Ridley Scott e Spike Lee, entre outros.
O longa de Meirelles está na competição principal entre quase duas dezenas de produções de diretores de prestígio internacional. O de Kátia Lund, que trata de infância e problemas sociais em várias partes do mundo, é um dos eventos especiais, fora de concurso.
Na mostra paralela ''Orizzonti'', também competitiva, mais um brasileiro. O pernambucano Lírio Ferreira vai mostrar ''Árido Movie'', com Giulia Gam e Selton Mello. E na categoria curta-metragem, como único evento especial na seção ''Corto Cortissimo'', o paulistano André Ristum é destaque com ''De Glauber para Jirges''.
Em entrevista coletiva ontem em Roma, o diretor do Festival, o suíço-brasileiro Marco Muller, anunciou a programação completa da resenha italiana. Pelo panorama geral, Veneza não vai dever nada às edições de Berlim e Cannes. Disputando prêmios ou não, daqui a um mês estarão lado a lado trabalhos de grandes mestres, todos inéditos e destinados a garantir muito espaço na mídia. É quase certo que a competição principal tenha um vigésimo concorrente, um filme-surpresa. E nem tão surpresa assim, já que se suspeita da presença do último longa de Takeshi Kitano.
O decano cineasta português Manoel de Oliveira bate seu próprio recorde de produtiva longevidade. Aos 97 anos, ele comparece com ''Espelho Mágico''. Outros nomes de peso que carimbaram passaporte são o americano Ang Lee, com o neo-western ''Brokeback Mountain'', os franceses Patrice Chereau (''Gabrielle'') e Laurent Cantet (''Vers le Sud''), o polonês Krzysztof Zanussi (''Persona Non Grata''), o inglês Terry Gilliam (''The Brothers Grimm''). Os atores-diretores John Turturro e George Clooney tiveram seus filmes selecionados, respectivamente ''Romance and Cigarettes'' e ''Good Night. And Good Luck''.
Boas perspectivas estão reservadas para a mostra ''Orizzonti'', na qual 16 longas-metragens tidos como de vanguarda vão disputar premiação. Entre eles, seis documentários, o que confirma a tendência mundial de extrema vitalidade do gênero. O alemão Werner Herzog e o argentino Fernando Solanas constam desta lista.
Fora de competição, um desfile que mistura a mainstream hollywoodiana e títulos americanos independentes, além de garantida qualidade asiática, deve assegurar o intenso transito de personalidades, entre realizadores e elencos. Os diretores: Cameron Crowe, Lasse Hellstrom, Takashi Miike, Tetsuya Nomura, Steven Soderbergh, Ron Howard, Tim Burton, John Irvin, Tsui Hark. Atores e atrizes confirmados, e outro tanto a confirmar: Russel Crowe, René Zellweger, Susan Sarandon, Tim Robbins, Emmanuelle Seigner, Monica Belluci, Matt Damon, Elijah Wood, Bjork, George Clooney, Jacqueline Bisset, Jeremy Irons, Lena Olin, Julia Stiles, Joe Mantegna, Orlando Bloom, Kirsten Dunst, Johnny Depp, Helan Bonham Carter, Mark Wahlberg.
O homenageado especial deste ano é o gênio da animação mundial, o japonês Hayao Myiazaki, que vai receber o Leão de Ouro pela carreira. O último filme dele, ''O Castelo Animado'', está em cartaz no Brasil.

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