CINEMA/ESTRÉIAS Tristão, Isolda & Bandidas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de julho de 2006
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
O que têm em comum este dois títulos que saíram do túnel do tempo diretamente para o consumo imediatista dos frequentadores dos multiplex da cidade? (veja a programação de cinema na página 2) Além de produtos que não exigem muita reflexão, foram recentemente grandes fiascos de bilheteria nos Estados Unidos. Mas isto não é fator capaz de imobilizar a curiosidade do público que, no caso de ''Tristão e Isolda'', vai com certeza em busca daquelas brumas arturianas, cavalgando com mãe leve na rédea solta da imaginação. E quanto ao western ''Bandidas'', a jornada será igualmente permissiva ao território mexicano pós-revolucionário, na estimulante companhia de duas deusas latinas.
O caráter da lenda fica claro desde o início em ''Tristão e Isolda'', com mapas em pergaminho e guerras internas entre as tribos da Inglaterra medieval, com personagens de passado difuso e brumas marítimas que confundem fronteiras e sentimentos. Neste incerto panorama surge o amor arriscado entre um inglês (James Franco) adotado pelo senhor da Cornualha e a herdeira do trono irlandês (Sophia Miles)
O diretor Kevin Reynolds, ainda hoje lutando sem sucesso para apagar o estigma do fracasso de ''Waterworld - O Segredo das Águas'', consegue captar a atenção do público com doce e sensível romantismo, para em seguida dar uma guinada dramática na trama e introduzir um ar trágico com certas (longínquas) ressonâncias shakespearianas.
O amor confrontado com a honra, a liberdade às turras com o compromisso, a inocência e o bem batendo de frente com a ambição e a traição. Não há dúvida, a platéia gosta, ainda mais quando há música sinfônica e envolvente, belas cores postais e um ar de epopéia bélica e romântica. Afinal, nobres ideais não são exatamente matéria prima encontrável em qualquer esquina deste século 21.
Em algum lugar entre medíocre e previsível situa-se este ''Bandidas'', uma espécie de ''As Panteras'', só que no Velho Oeste. O filme bem que tenta ser uma trama de ação proto-feminista com sua óbvia mensagem política, mas a muito custo mal consegue cumprir marginalmente com o propósito de ser mero entretenimento. Há pontos positivos, porém. Penélope Cruz é boa atriz e dá conta da puerilidade do argumento. Steve Zhan é até simpático com seu personagem de legista como Johnny Depp em ''Cavaleiro Sem Cabeça''.
Pensando bem, seria pedir muito, uma história bem contada: é preciso ter em conta que ''Bandidas'' é produção francesa (escrita por Luc Besson) e realizada por equipe norueguesa. Diante disso, um México verossímil, com seus múltiplos contrastes culturais, sociais e políticos, seria mesmo uma veleidade, uma utopia. Restam então as belas Penélope e Salma Hayek em roupas reveladoras, disparando suas pistolas e fazendo acrobacias. Há quem se contente.


