''Deus é Brasileiro'' é o primeiro filme nacional a chegar às salas em 2003, em co-produção e com distribuição da multinacional Columbia TriStar são 147 cópias espalhadas no mapa da exibição no país (veja a programação de cinema na página 2). Comédia humanista ''on the road'', com personagens e situações nada comuns, o filme traz a assinatura sempre respeitável de Cacá Diegues, o veterano diretor de sucessos como ''Chuvas de Verão'', ''Bye Bye Brasil'' e ''Tieta do Agreste''.
''Deus é Brasileiro'' narra uma engraçada passagem de Deus pelo Brasil em busca de um santo para substituí-lo durante merecidas férias. O argumento nasceu livremente inspirado no conto ''O Santo que Não Acreditava em Deus'', história contida no livro ''Já Podeis da Pátria Filhos'', de João Ubaldo Ribeiro, um dos roteiristas creditados, ao lado do próprio Cacá, de João Emanuel Carneiro e Renata Almeida Magalhães, mulher do cineasta e também produtora do filme.
Não aguentando mais as bobagens que assolam a humanidade e decepcionado com Sua criação tão cheia de defeitos adquiridos, claro , Deus decide tirar férias, retirando-se para longe do ser humano, em algum lugar distante nas estrelas. Mas para viajar tranquilo Ele precisa encontrar um responsável pela interinidade, um santo que se ocupe de Suas obrigações para com a humanidade. E o lugar escolhido é o Brasil, país tão religioso mas que, no entanto, nunca produziu um santo exclusivo da terra, com reconhecimento oficial e tudo o mais. Seu guia nessa busca será o esperto Taoca, dublê de borracheiro e pescador que pretende tirar o máximo de vantagem material nesta inesperada parceria com o Todo-Poderoso. Os dois se põem a caminho, e a eles logo se junta a jovem, bela e solitária Madá, padecendo de mal de amores. Do litoral de Alagoas ao interior do Tocantins, passando por Pernambuco, através do sertão e das cidades, o trio obviamente liderado por Deus segue pelas estradas do país vivendo diferentes aventuras à procura de um santo. Até o final, muitas surpresas.
Durante recente entrevista coletiva em São Paulo, um bem-humorado Cacá Diegues, parecendo sempre muito leve e tranquilo diante do resultado final que chega às telas a partir de hoje, disse que seu filme ''é uma tentativa de entender, com muito amor e compaixão, os defeitos e as fraquezas da humanidade através de personagens tipicamente brasileiros. É um filme a favor da imperfeição e Deus, aqui, me interessou apenas como o mais importante personagem literário da cultura ocidental, nunca como objeto de reflexão religiosa ou teológica''. Ainda segundo o diretor, fazer ''Deus é Brasileiro'' foi muito prazeroso. ''Há muitos anos eu não fazia um filme com tanto prazer'', confessou, atribuindo boa parte desta felicidade ao elenco central: Antonio Fagundes (Deus), Paloma Duarte (Madá), Wagner Moura (Taoca) e Bruce Gomlevsky (Quinca das Mulas, o candidato a santo). Cacá afirmou que Fagundes foi o primeiro ator que lhe veio à cabeça para interpretar seu Deus. ''Tanto que as filmagens começariam em maio de 2001, mas acabamos por esperar até outubro para que ele terminasse a novela ''Porto do Milagres'''.
Em participações menores aparecem Stepan Nercessian, Hugo Carvana, Castrinho e Chico de Assis. A trilha musical, sempre uma preocupação de Cacá Diegues, é ponto alto na produção. A idéia foi criar uma espécie de montagem de diversas tendências da musica brasileira, do mais tradicional ao mais contemporâneo, do folclore ao erudito, do coco alagoano à música eletrônica. Entre as 21 principais músicas ouvidas em ''Deus é Brasileiro'' convivem em harmonia, entre outros, Villa-Lobos, Roberta Miranda, Djavan, Hermeto Pascoal, Forroçacana, Comadre Florzinha, Grupo Caçuá, Quinteto Armorial, Pena Branca e Xavantinho, Luiz Gonzaga, Lenine e MC Vanessinha.

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