Ainda não foi dada a última palavra, mas ''Irmão Urso'', uma das estréias do fim de semana (confira a programação de cinema na página 2), pode ser a despedida do desenho animado tradicional em duas dimensões feito pela companhia Disney, que passaria a concentrar-se apenas na tecnologia computadorizada em 3D. Talvez seja por isso que este é um filme muito mais dirigido às platéias infantis, exatamente aquele público que mais amou os maiores êxitos da grife, lá por meados do século passado.
Menos risos e mais delicadeza, mais lições de moral que propriamente aventura. ''Irmão Urso'' é uma trama que parte de uma certa mitologia indígena para narrar a história de irmãos, ursos e outros bichos da floresta, em tempos idos e entre geleiras, bosques, vales, montanhas e cachoeiras de uma região vasta próxima ao Ártico. Exatamente aquela paisagem sobre a qual os artistas à mão livre se debruçam e soltam toda sua imaginação.
Os irmãos são Sitka, o mais velho e líder, a ''águia'', segundo a chefe espiritual da tribo; Denahi, , o astuto, a ''raposa''; e Kenai, o amoroso, o ''urso''. Tudo bem até que o imprudente Kenai provoca um urso imenso, ciumento de sua comida. Há uma luta, envolvendo os três irmãos. Há uma tragédia, e Kenai se vê transformado de fato em urso, agora a ver as coisas do ponto de vista dos animais. Entre seus novos companheiros está uma engraçada dupla de alces, e um ursinho órfão e charlatão, Koda. Para voltar a ser homem, Kenai tem pela frente um longo aprendizado.
O que emperra um pouco o filme é que por trás de quase toda cena existe um empenhado didatismo, um persistente empenho quanto a sermões. Sem duvida há maneiras mais sutis e divertidas de enaltecer valores nobres como amor, fraternidade, tolerância entre os humanos e respeito à natureza. Do jeito que está especificações técnicas à parte nem parece que ''Irmão Urso'' saiu do mesmo estúdio que criou um arejado ''Rei Leão''. As musicas de Phil Collins não ajudam muito.

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