Além dos confiáveis ''Zuzu Angel'' e ''Violação de Domicílio'', outras três estréias estão nas salas da cidade (veja a programação de cinema na página 2). Entretenimento descartável, os títulos ainda sinalizam tendência marcante na produção hollywoodiana recente: as refilmagens, as apropriações mais ou menos indébitas, o desenfreado festival do mais e do mesmo, a indigência no trânsito de idéias novas, a aposta nem sempre com o retorno financeiro assegurado numa fórmula que um belo dia deu certo.
''Protegida por Um Anjo'' é antes de tudo título brasileiro que apela para bilheterias potencialmente crédulas, já que o original ''Half Light'' passa longe de entidades protetoras incorpóreas. É a história de bem-sucedida escritora de novelas de mistério (Demi Moore, com novo recorte facial/radical via cirurgia cosmética) perseguida fantasmagoricamente por tragédia familiar a morte do filho de sete anos.
Ela chega aos confins da áspera costa escocesa e ali o filme, que cultiva atmosferas de inspiração gótica, oscila entre drama romântico e thriller policial com sugestões sobrenaturais. Até chegar ao desenlace um tanto forçado, a bem cuidada produção assinada por Craig Rosemberg tropeça com frequência, sem conciliar satisfatoriamente todas as possibilidades da proposta. Na vertente mais do mesmo, ''Half Light'' paga pesado tributo a vários similares recentes, inclusive e principalmente japoneses.
''A Sentinela'' tenta se sustentar na sofisticação tecnológica e na paranóia obsessiva, mas estas coordenadas, mesmo somadas às boas intenções, não são suficientes para dar personalidade ao thriller dirigido por Clark Johnson. O argumento reúne um falso culpado, uma amizade traída e um suposto complô para eliminar o presidente dos Estados Unidos. Um presidente idílico, íntegro mas alheio à infidelidades da primeira dama.
A vertigem visual, certa tensão dramática e a presença de um grupo de estrelas do calibre de Michael Douglas (arriscando a carreira em roteiro mal escrito) não são suficientes para dar sustentação a esta clonagem do seriado televisivo ''24 Horas'' não é apenas coincidência a presença de Kiefer Sutherland no elenco. Constrangedora a debilidade dos personagens femininos, movidos por um punhado de tópicos sexuais e profissionais.
''Viagem Maldita'' coloca logo de saída um grave problema. É que esta refilmagem, este festival de sangue e vísceras se torna ainda mais dispensável quando se recorda que o original de Wes Craven, realizado há 20 anos e batizado no Brasil como ''Quadrilha de Sádicos'', já não era tão original assim. Craven tinha bebido da fonte pura do ''Amargo Pesadelo'' de John Boorman e do ''Massacre da Serra Elétrica'' de Tobe Hooper.
Agora, Alexandre Aja imprime dose maior de espetáculo e truculência, valendo-se do volume de recursos transformado, em especial, na mais sofisticada carpintaria dos efeitos especiais embora o que deixasse bastante original o velho ''The Hills Have Eyes'' fosse exatamente sua pobreza e seu consequente tom quase documental.
De novo uma ingênua família (ainda existem?) em viagem aceita conselho maroto para pegar atalho no deserto. O destino final é uma cidade fantasma onde vivem homicidas disformes (culpa de radiações nucleares), especialistas no uso do machado e da picareta. Além dos excessos, aquele humor perverso que amenizava a proposta de Craven não está presente em momento algum.

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