Os remanescentes adultos que entraram neste século e que haviam transitado diante da televisão na segunda metade do século passado, ali pelos anos 1975-76, devem se lembrar bem da série ''S.W.A.T.'', comandada pelo boa pinta e carismático Robert Urich na pele do oficial Jim Street - e do tema musical que sublinhou com irritante intensidade aquelas aventuras policiais. Quase trinta anos depois, Hollywood aproveita o embalo de recentes e sofisticadas adaptações de velhas séries de sucesso na telinha (''As Panteras'') e o sucesso de títulos atuais - ''Plantão de Polícia'' e ''Lei e Ordem'', não por coincidência dirigidas pelo mesmo Clarck Johnson que assina este longa - para lançar agora ''S.W.A.T.'' O filme chega hoje ao circuito nacional (veja a programação de cinema na página 2), e não há rigorosamente nada de relevante que absolva este lançamento de uma gélida, pós-moderna impessoalidade.
Nesta versão reciclada para o cinema ao tempero do dia, o argumento parte de um cerco que a polícia de Los Angeles faz a assaltantes de banco com reféns. E quando policiais civis americanos têm problemas eles não chamam os marines, via de regra ocupando o quintal de outros continentes, mas a S.W.A.T. (Special Weapons and Tactics Unit - alguma coisa como Unidade de Táticas e Armamentos Especiais). Chegam ao local Jim Street (o irlandês Colin Farrell, no momento uma das apostas do box office ) e seu parceiro Gamble (Jeremy Renner). A dupla desobedece ordens, mata os ladrões mas fere uma refém, que acaba processando o Departamento de Polícia de Los Angeles. Os dois agentes entram em quarentena e ficam fora do grupo de elite. Meses mais tarde aparece a chance de voltar à ativa, e dar sequência à trama. Um veterano da força especial, o tenente Dan ''Hondo'' Harrelson (Samuel L. Jackson, no piloto automático), seleciona Street para compor um time com alto nível de testosterona. Do grupo fazem parte ainda Deke (LL.Cool J), T.J.(Josh Charles), Boxer (Brian Van Holt) e a viril Sanchez (Michele Rodriguez).
Depois daquele previsível período de treinamento, as habilidades estão prontas para qualquer teste. E o dia chega quando a polícia prende o euro-mega-traficante Alex Montel (Olivier Martinez). Com ar de top-model, durante entrevista à tevê ele oferece 100 milhões de dólares para quem conseguir soltá-lo. É fácil imaginar a convulsão que a oferta provoca não apenas no meio criminoso regular, mas também entre todo o imenso contingente de malandros, desempregados e até de gente de dentro da polícia, à solta numa Califórnia endividada até a medula - e não há Schwarzenegger, disfarçado de governador ou de cyborg, capaz de deter a cobiça desenfreada. O tal time, então, debaixo de fogo de todos os lados, deve escoltar o bandidão até uma prisão federal.
Pode-se em plena consciência falar de cinema diante de tal produto? ''S.W.A.T.'', que estaria melhor encapsulado se devolvido ao formato padrão das polegadas, é um desses dramas criminais superaquecidos em que os atores recitam suas falas sempre com dentes cerrados. Neste caso, talvez o recurso seja para disfarçar o riso, uma vez que os diálogos são tão econômicos e crispados que às vezes beiram a paródia. Arrastando por duas horas um suspense anêmico, ''S.W.A.T.'' gasta metade do tempo na preparação dos recrutados e a outra metade enfileirando perseguições - carros, helicópteros e tudo o mais que a ruas de Los Angeles permitem, da fuzilaria ao total pandemônio. E não há dúvida de que foi necessário talento especial para deixar um elenco potencialmente capaz em estado de catatônica dispersão. No salve-se quem puder de um filme de ação anoréxico, quem se sai melhor é o francês Olivier Martinez, roubando cenas dos desmotivados e burocráticos Jackson e Farrell.

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