CINEMA/ESTRÉIAS - Giselle Bundchen é vilã nas telas
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Alguém poderia sugerir ao recém-reeleito George W. Bush que aplique à política externa dos EUA a mesma fórmula que os roteiristas de Hollywood volta e meia utilizam para tentar neutralizar a mediocridade de seus argumentos. A crise de idéias continua levando à importação de histórias criadas e já testadas com sucesso em outros países - a França é a mais forte fornecedora do material que os americanos reciclam, em geral desastradamente. Assim, Bush poderia aplacar seu fundamentalismo, engolir seu neandertalismo, importar e aplicar, entre outras variantes civilizatórias, o modelo francês de tolerância étnica (mesmo com o recente deslize dos véus muçulmanos nas escolas) e o exemplo europeu de absorção de diversidades, evitando que mais dia menos dia o vingador Osama chegue novamente com fúria demolidora ao coração da América do Norte.
Agora, quando o original é fraco como o mega-hit francês ''Táxi'', comédia de ação realizada em 1998 por Gerard Pires com direito à sequela, aí sim fica ainda mais difícil sustentar uma refilmagem. Este ''Táxi'' made in USA que está entrando hoje no circuito nacional, em estréia brasileira mais de olho nas passarelas como extensão de bilheteria (consulte a programação de cinema na página 2), é uma bobagenzinha sem muita graça, um filme que carece de um fecho, de um ponto final, e que parece ter sido concebido diretamente para alimentar a televisão a cabo.
Jimmy Fallon, comediante da turma do ''Saturday Night Live'', é tira de Nova York, um tipo meio trapalhão que teve a carteira de motorista cassada por conta de um bom numero de confusões no transito. Investigando um assalto a banco, ele impulsivamente embarca num táxi pilotado por Belle (Queen Latifah), que andou equipando seu carro com um motor envenenado, além de outras modificações mecanicamente incorretas que a transformaram na taxista mais rápida da megalópole.
No cenário urbano surge a quadrilha de brasileiras assaltantes de banco, liderada por nada menos que Gisele Bundchen-Vanessa, do alto de seu metro e meio de pernas em ótima forma. Não há dúvida, ela e suas comparsas também modelos são belas, perigosas e literalmente caíram na vida do crime. E tome perseguição: na frente e em fuga as lindas delinquentes, logo atrás a dupla tira-taxista, agora transformada em parceria extra-oficial.
É com certeza um filme-fórmula, buscando provocar o riso sem muito pudor. As perseguições de carros para muitos vão parecer rotineiras e frustrantes, e depois de algumas ''Táxi'' termina de repente, como se o diretor Tim Story tivesse simplesmente resolvido parar, sem forças para arrematar melhor uma trama já meio exausta e sem rumo. É como se ele simplesmente tivesse desistido de chegar ao destino e pedido para saltar do próprio filme. Apesar de tudo, Fallon, Latifah e La Bundchen parecem ter se divertido nesta hora e meia. Para quem anda com o nível de exigência em vôo rasante, este ''Táxi'' pode até ser uma opção razoável.


