CINEMA/ESTRÉIAS - Gatas, rainhas e príncipes nas telas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Se você ainda não viu, o que está esperando? ''Fahrenheit 11 de Setembro'' emplacou em Londrina uma segunda semana, na sala 4 do Multiplex Catuaí e quando chegar em casa aproveite e consulte www.michaelmoore.com: está tudo no site do diretor, todas as provas até o momento não refutadas pela Casa Branca. ''Shrek 2'', embora em fim de carreira, pode também ser garimpado em dias e horários a consultar. Os demais que ficaram são descartáveis, e o que estão chegando hoje idem, todos em lançamento nacional. Há uma exceção, ''Viva Voz'', a comédia brasileira que entra a fórceps e briga por um lugar ao sol neste apertado e ingrato panorama de lançamentos alienígenas (leia matéria na página 3).
''Catwoman''. Ou a Mulher-Gato. Ou como um Oscar pode fazer mal a uma bichana. Acho que todos se lembram do miado aveludado e arrepiante de Michelle Pfeifer em ''O Retorno de Batman''. Não se lembram ?! Mas deveriam, quando nada para apagar da retina e da memória o estrago que Halle Berry fez agora ao personagem das HQ que saiu da sombra do super-herói, cresceu e apareceu em território próprio. Porque gata como Michelle o cinema não vai mais encontrar. E os fãs do universo gótico de Gotham City vão ter que se contentar com uma adaptação libérrima de Catwoman. E vão sair do cinema com a sensação de ter engolido uma bola de pelos, de resto bem expelida pelo melhor gato do pedaço, o de Botas e animado, arrasando em ''Shrek 2''.
No filme que está mais para videoclipe musical do que para cinema, com toneladas de clichês e cacoetes de um e de outro, uma empregada de indústria cosmética descobre coisas que não devia e é liquidada. Mas um gato egípcio lhe devolve à vida, dando a ela a oportunidade de se vingar. Não simplesmente: agora com poderes extraordinários, como agilidade, velocidade e demais sentidos de um felino. As tais nove vidas, inclusive. Este argumento se transforma em roteiro mal escrito e este em filme mal dirigido e mal interpretado, com uma Halle Berry over talvez muito em função daquele efeito colateral provocado pela indigestão de Oscar a garota já tinha dado uma prévia na sua exagerada performance ao agradecer a estatueta.
''Rainhas da Noite''. Ou como cometer uma farsa barata às custas de um clássico modelo de comédia, no caso o intocável ''Quanto Mais Quente Melhor'', de Billy Wilder. Garotas cantoras (Toni Collete e Nia Vardalos) fogem de gangsters, se disfarçam de drags e acabam fazendo sucesso num clube noturno de Los Angeles. O roteiro é de Vardalos, que nem de longe repete a criatividade de ''Casamento Grego''. Entre outras debilidades, o filme não funciona porque a dupla de atrizes, sem dúvida talentosa, não consegue convencer como homens mesmo homens pretendendo passar por mulheres. Para se ter uma idéia do potencial do filme, ''Mulheres Perfeitas'' era bem mais divertido, imaginem !
''Um Príncipe em Minha Vida''. Ou como Hollywood se repete descaradamente! O romance entre a plebéia e o príncipe estudante é tão óbvio que chega a constranger. E tudo narrado naquele mesmo diapasão de previsibilidade arrastada, de glamour rançoso, de preguiça e inoperância coletiva. Julia Stiles, que até deu conta do recado em ''O Sorriso de Mona Lisa'' (maldosamente mas não inexplicavelmente rebatizado como ''O Sonrisal de Mona Lisa''), encarna o sonho secreto de Cinderela de todas as pré e pós teens que comprarem o ingresso. Um desperdício, Helen Mirren como a rainha da Dinamarca.


