O público brasileiro recebe a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 2) um filme que sofre de múltipla personalidade. E nenhuma é confiável. A princípio, seria uma comédia natalina, daquelas bem tradicionais, com reunião familiar, árvore enfeitada, presentes e tudo mais - a estréia entre nós chega com atraso mortal, que esvazia ainda mais as pretensões do lançamento.
Por outro lado, é filme daqueles politicamente corretos, que contrapõe uma família progressista a um personagem ultra reacionário, daqueles que ainda pensam que ser gay é doença. Além disso, como terceira via, em caso de dúvida se algum espectador prefira chorar antes de rir, o roteiro encaixa um câncer terminal num dos principais personagens. E como acontece nestes casos, de tanto querer agradar a todos, ''Tudo em Família'' percebe tarde demais que não agrada a ninguém. O que afinal resulta em ato de justiça, já que em todas as frentes o filme é persistente em mediocridade.
Então, o que resta neste desengonçado filme escrito e dirigido por Thomas Bezucha? O elenco. É de peso, com certeza. Diane Keaton é a matriarca, cujo olhar inicial de enorme tristeza já antecipa a revelação que ocorrerá lá pela metade. Ao seu redor, num chalé da Nova Inglaterra ilhado pela neve, transitam o marido (Craig T. Nelson), filhos e netos. Cinco filhos, entre eles a ácida Amy (Rachel McAdams), o bom caráter Bem (Luke Wilson), e Everett (Dermot Mulroney), que chega com a noiva, a tensa e ossuda Meredith (Sarah Jessica Parker) - aliás esta é a grande anedota de ''The Family Stone'', o fato dela ser o ícone de ''Sex and the City''.
Numa trama em que sobra tempo para arrependimentos (há uma troca de noivas, com Claire Danes competindo na reta final), segundas chances e reconciliações, uma quantidade considerável de lágrimas corre por conta da enfermidade letal. O problema (mais um !?) é a dramaturgia simplista e rasa. E igualmente sem cura.

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