CINEMA/ESTREIA Scooby-Doo, cadê você?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de abril de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Quando o filme é puramente business e em Hollywood poucos filmes não são exclusivamente negócios , a tentação de fazer uma sequela (ou várias) é sempre inadiável. E no caso de desenho animado ou histórias em quadrinhos transportados à tela grande, isto então parece obrigatório. Raciocinando assim, pragmática e rasteiramente, por que ''Scooby-Doo'' não deveria ter sua segunda parte? Somente porque a quase totalidade de críticas foi negativa e alguns fãs-clubes protestaram alegando que o filme não respeitava a essência do original animado? Afinal de contas, o primeiro filme arrecadou U$ 153 milhões só nos Estados Unidos, e em 2002 foi um dos mais vistos, mundo afora. Era, portanto mais do que previsível que surgisse este ''Scooby-Doo 2: Monstros à Solta'', a partir de hoje em lançamento nacional (veja a programação de cinema nesta pagina). E os responsáveis já avisaram aliás, ameaçaram, para melhor adequação ao espírito da coisa que, salvo uma improvável catástrofe agora nas bilheterias, haverá um episódio 3. Pena que, até o momento, nem sombra do velho, bom e clássico Scooby-Doo da dupla Hanna-Barbera.
No centro do argumento dessa nova produção, que mais uma vez combina animação e personagens de carne e osso, está um museu habitado por fantasmagóricas, monstruosas figuras que ameaçam toda a cidade de Coolsville. É contra esses monstros que o conhecido quarteto de detetives e o falante e covarde quadrúpede dinamarquês devem lutar. Com a incessante pressão de uma repórter e da aterrorizada população, os integrantes da Mystery Inc. se empenham numa tresloucada batalha para que a ordem e a lei voltem a imperar. Todas as pistas de Fred, Daphne, Shaggy, Vel e do próprio Scooby levam a várias alternativas. Mas entre corridas, sustos, surpresas e subtramas românticas, o culpado é alguém de quem menos se suspeita. Apesar de nada sutis, os detetives acabam resolvendo o quebra-cabeça.
O primeiro e grave sintoma de que as coisas não estão bem nesta parte dois foi a intensa, insistente movimentação preventiva do marketing internacional, já esperando um segundo incêndio. Todos, do reincidente diretor Raja Gosnell, ao elenco que reaparece em peso, não deixaram em nenhum momento de levantar a bola desta suíte: muito melhor, muito mais efeitos, muito mais aventura, muito mais humor, muito mais tudo, enfim. Daí a confirmar a suspeita ao vivo diante do filme foi apenas questão de tempo: ''Scooby-Doo 2: Monstros à Solta'' é tão medíocre quanto o primeiro, e somente fanáticos scoobydoomaníacos vão encontrar algum prazer na companhia do cão-detetive.
A fórmula é a mesma da primeira incursão dos históricos personagens à telona, isto é, um roteiro sem maiores atrativos, que parece esticar as miniaventuras dos desenhos televisivos, reiterando situações e prolongando os gags para tentar extrair deles uma comicidade que de fato não existe. Pelo menos não espontaneamente.
Pelo menos para quebrar a monotonia causada pela falta de imaginação dos realizadores, nunca é demais lembrar os boatos maliciosos sobre ''mensagens secretas ou codificadas'', que por muito tempo acompanharam o desenho animado que está completando 35 anos. Como, por exemplo, a versão de que Daphne e Fred viviam se agarrando às escondidas e por isso quase não apareciam quando o quarteto se dividia para investigar pistas; ou aquela outra, que assegurava que Velma era loucamente apaixonada por Daphne; ou ainda que Shaggy era um beatnik viciado em drogas pesadas, o que explicaria o seu encontro frequente e exclusivo com uma série de monstros terríveis...


