Quando foi exibido fora de concurso no recente Festival de Veneza, no embalo daquele lado mais mundano e artisticamente irresponsável que rende boa vizinhança com Hollywood e com a mídia mais caras & chiques & famosos, ‘‘Pequenos Espiões 3’’ repercutiu com estridência não por suas discretas qualidades, mas pela movimentação ao redor da exibição. Além do diretor Robert Rodriguez e do ator Antonio Banderas, na mostra veneziana também por conta de ‘‘Era Uma Vez no México’’, quem chegou com grande barulho foi Sylvester Stallone, que faz o vilão principal de ‘‘Pequenos Vilões 3’’. Na confusão à entrada da sala, entre centenas de crianças convidadas que disputavam um lugar e um par de óculos para ver a cópia em 3D, e um exército de ‘‘paparazzi’’, um dos gorilas karatecas contratados para fazer a segurança do ator golpeou com violência um veterano e insistente repórter de uma tevê italiana, que foi a nocaute. Como todos os colegas desviaram as objetivas de Stallone e registraram a queda do colega, o resultado foi a inesperada e redobrada ressonância para este filme apenas simpático que estréia hoje em Londrina (veja a programação de cinema na página 2).
  Segundo o exibidor local, a Columbia/Buena Vista enviou 2 mil óculos especiais para distribuição a quem comprar o ingresso para as sessões do Catuaí 2. Sem eles, o espectador não verá com nitidez algumas seqüências filmadas pelo próprio cineasta tex-mex (texano-mexicano) Robert Rodriguez. Elas são minoria nos 84 minutos de projeção, mas ficam prejudicadas sem a utilização do acessório. Não que se vai estar diante de algo revolucionário ou assombroso, já que está tudo exatamente igual ao pouco que se viu nas telas nos primeiros anos 1950 (veja texto sobre 3D nesta página).
  É mais um terceiro capítulo a chegar ao circuito mundial durante este ano - e espera-se que sejam de fato os derradeiros: ‘‘Matrix’’, ‘‘Mariachi/Desperado/Era uma Vez no México’’ e agora este ‘‘Pequenos Vilões’’ já deram flores e frutos e estão passados da hora. Ou caindo de maduros. Com evidentes sinais de esgotamento, o que significa que não foi trabalhado como os anteriores, ‘‘Pequenos Espiões 3’’ vai no entanto funcionar como uma espécie de despertador para as férias mais longas que se aproximam. É bem razoável como entretenimento, não desconsidera a inteligência infanto-juvenil e contém elementos que, somados aos dois episódios anteriores, atestam a boa índole da iniciativa de Rodriguez.
  O jovem Juni Cortez (Daryl Sabara) entra no cyberspace de um jogo de realidade virtual para tentar salvar sua irmã Carmen (Alexa Veja) da morte certa: ela foi aprisionada num jogo de computador pelo insano Toymaker (Sylvester Stallone), um vilão com quatro personalidades que não apenas odeia todas as crianças do mundo como pretende possuir a mente de todas elas. Para quem não se lembra: Juni e Carmen são os muito engenhosos filhos de um agente secreto aposentado da OSS (Antonio Banderas). Entre os adultos, destaque para Ricardo Montalban como o avô de Juni e Carmen, e George Clooney como o presidente dos EUA. Quanto a Stallone, há quem considere sua multiperformance a pior demonstração de falta de talento do ano; e há quem o defina como ‘‘surpreendentemente genial’’. Como presenciei a fúria de Rambo - impossível ser canastrão nas circunstâncias - com que o ator investiu contra o tal gorila karateca e a delicadeza (!) com que atendeu ainda no chão o repórter nocauteado no episódio veneziano, concedo a ele o benefício da duvida.

mockup